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sexta-feira, 22 de abril de 2011

MOBILIZAÇÃO TOTAL NA OPERAÇÃO TEMPESTADE NO DESERTO-Descrição do avanço da Coalizão por terra.(Preparação para a Guerra Terrestre )














O apoio aéreo as forças combatendo em terra iniciaram no primeiro dia da campanha aérea e foram até o fim da guerra. Inicialmente isolariam o campo de batalha cortando as comunicações e parando os suprimentos. Nos combates terrestres fariam CAS (Close Air Support), ou Apoio Cerrado, a frente das tropas.
As operações de CAS na Operação Desert Storm foram realizadas apenas nas 100 horas finais do conflito e por pouco tempo na batalha de Khafji. A duração da batalha terrestre foi curta assim como as condições dos engajamentos. Junto com as tropas inimigas desmoralizadas tornaram difícil fazer generalizações dos combates. O avanço também foi muito rápido. Foram feitos reconstrução dos engajamentos e não do teatro como um todo.
Duas missões de F-16 e outra de A-10 foram para auxiliar equipes de reconhecimento de Forças Especiais detectadas atrás das linhas e necessitando de extração de emergências. Sem o CAS não teriam sobrevivido ou seriam capturadas.

A batalha de Al Khafji originou com a intenção iraquiana de forçar a coalizão em um grande engajamento em terra tentando virar a guerra para sua vantagem. Com os ataques aéreos demorando e mais severos que o previsto, Saddam esperava que em terra teria mais vantagem. Com as suas forças ficando enfraquecidas pelos ataques ou deserção, poderia aproveitar o que tinha e até elevar o moral, com os prisioneiros da coalizão capturados sendo usados como fonte de inteligência para determinar as intenções da coalizão. Esta era a interpretação da ação iraquiana e os prisioneiros confirmaram depois.
A batalha de Khafji iniciou duas semanas pós a campanha aérea na noite do dia 30 de janeiro. Os iraquianos cruzaram a fronteira em Ras Al Khafji, Wafrah e Umm Hujul. Apenas em Al Khafji os avanços não foram logo repelidos e ultrapassaram os postos avançados.
A operação iraquiana em Khafji foi uma operação falha desde inicio. Eram três frentes de sondagem da 5a Divisão Mecanizada até o contato. Três se perderam, mas uma acabou encontrando Khafji e foi destruída.
A cidade de Khafji tinha 3 km de norte a sul e 2km leste a oeste. Na invasão havia duas equipes de reconhecimento do USMC com seis tropas que enviavam notificações da movimentação de tropas iraquianas no local.
O ataque foi centrado em duas divisões pesadas no sul do Kuwait, a 5a Mecanizada e 3a Blindada. Uma Divisão avançaria e outra exploraria a vantagem. O ataque iniciou com três batalhões da 5a Divisão, e seria seguida da 3a Divisão reforçando e depois substituindo. Avançaram em três frentes e duas foram paradas ou voltaram por ação de tropas em terra ou aviação. A terceira atingiu Al Khafji. As unidades de reforço também foram paradas e se retiraram como a 3a Divisão, principalmente pela ação da aviação.
O TACC não reagiu rápido aos primeiros movimentos iraquianos, mas mudou a missão de 140 aeronaves táticas para ataques sucessivos contra os iraquianos. Com as tropas concentradas os ataques foram efetivos. Uma Brigada blindada teve o primeiro blindado na coluna destruído e parou toda a coluna avançando. Depois todos os blindados foram destruídos pelos ataques aéreos. Um veterano da guerra Irã-Iraque disse que sofreu mais em um dia do que em 10 anos contra o Irã. A 3a Divisão Blindada nem conseguiu concentrar devido aos ataques aéreos. A 5a Divisão foi eliminada e se retirou para Basra.
Depois do ataque falhar não tentaram outros mas iniciaram a construção de mais barricadas, cavavam mais fundo, dispersavam suprimentos e iniciaram o uso de pequenos comboios, movimento o posto de comando frequentemente e com uso mais frequente de alvos falsos. O efeito nos comandantes iraquianos foi mais importante. Perceberam que um contra-ataque ou retirada seria impossível devido aos ataques aéreos furiosos da coalizão.
Um ataque B-52 e dois pacotes indo para Guarda Republicana foram desviados para apoiar as operações. Foram mais de 100 blindados destruídos. Os B-52 espalharam os blindados que foram facilmente detectados. Os B-52 foram usados contra intercessões de estradas mais ao norte onde as tropas estariam se preparando e esperavam mais efeito psicológico. O E-8 JSTARS (Joint Surveillance and Target Attack Radar System) participou em operações de vigilância. Detectava, acompanhava e passava alvos. As aeronaves atacando mais ao norte informação movimento da Guarda Republicana. O JSTARS vigiava estas unidades de longe. Podia evitar que seriam pegos de surpresa ou por ataques em outra direção com o inicial sendo um ataque de desvio de atenção.
A Arábia Saudita não fazia operações de CAS para suas tropas e o USMC forneceria. Os jatos do USMC voavam diariamente sobre as posições sauditas para reforçar que teriam CAS. Os sauditas nem tinham experiência com guerra mecanizada.
Na batalha de Khafji foram realizadas missões de CAS. Operando próximo a costa as tropas tinham um oficial do USMC para chamar apoio de fogo naval. Os sauditas, Qatar e fuzileiros da 3a MAW repeliram o ataque em terra. Os UAV e JSTARS apoiaram assim como vários tipos de aeronaves incluindo os AC-130. Em três dias foram cerca de mil saídas de todos os tipos incluindo os helicópteros de ataque em três Kill Box. As aeronaves usadas na batalha foram os AH-1W, AV-8B, A-10 e AC-130 e os F/A-18. O AV-8B e OV-10 dobraram as saídas diárias. Cerca de 50 blindados foram destruídos pelo ar. Foram 14 fuzileiros e quatro soldados sauditas mortos em três incidentes de fratricídio. O pior foi com um A-10 disparando um Maverick a noite com sete mortos.
Três AC-130 apoiaram a batalha de Kafji. Um estava na estação, um apoiando com REVO (reabastecimento em voo) e um em alerta. Um foi derrubado no amanhecer do dia 31 de janeiro após caçar um lançador de foguetes FROG-7 com todos os 14 tripulantes mortos.
Os helicópteros Cobra e os caças Harrier e Hornet destruírem cerca 40-50% dos blindados em Khafji. Sem este apoio seria difícil conquistar a cidade. Os iraquianos lutaram inicialmente, mas o poder de fogo em terra e no ar da coalizão os fez desistir. O moral das tropas da coalizão aumentou. Os árabes que retomaram a cidade, sauditas e do Qatar, não eram bem treinados e nem conheciam seu próprio equipamento. Simplesmente se concentraram as vistas dos iraquianos, que não aproveitaram para dizimá-los com a artilharia, e atacaram sem coordenação ou sem se comunicar. Venceram o que pensavam ser uma força mais potente e experiente.
A batalha de Kafji também foi seguida de um ataque pelo mar. As lanchas TNC 45 com Exocet e Osas com Styx apoiariam o ataque a Khafji. Os navios iraquianos foram logo detectados e atacados por aeronaves A-6E, Jaguar e helicópteros Lynx. Os Lynx da Royal Navy rearmaram em dois contratorpedeiros no norte do Golfo Pérsico e dispararam 25 mísseis Sea Skua com 18 acertos prováveis. Os A-6E viram movimento e dispararam bombas guiadas a laser contra três navios. Os A-6 e F/A-18 atacaram com bombas Paveway, canhão e Rockeye. Foram 11 navios danificados e dois fugindo para o Irã.
A batalha foi importante por passar detalhes sobre as operações iraquianas. A batalha de Kafji mostrou que os iraquianos eram bem menos treinados e equipados que o esperado. Até roubavam e levavam comida da cidade. A falta de cobertura aérea inibia as ações. Apanharam tanto que nem pensaram mais em se mover. As ações em Khafji mostraram o que lhes esperava. No combate terrestre evitou que atuassem além da autodefesa e várias unidades nem tentaram se defender. Em outros apenas forçou a se rendem sem agir.

Para a Coalizão a impressão de Al Khafji foi pouca. Inicialmente foi vista como uma finta e não como um ataque principal. Todos pensavam que seria um ataque de despistamento de outro principal no leste ou oeste. A supressão dos Scud e os ataques a Guarda Republicana ainda era o foco principal das operações aérea. Como os danos foram mais a retaguarda dos iraquianos não sabiam bem que foi intenso.

O planejamento da guerra terrestre iniciou em setembro de 1990. O plano incluía usar o Poder Aéreo para deslocar tropas para o oeste da fronteira iraquiana e mascarar os movimentos da Inteligência iraquiana. As operações terrestres foram baseadas em engodo e guerra de manobra rápida. A manobra em gancho para cercar o Kuwait foi planejada desde o inicio, mas só foi escutado após o reforço de um Corpo blindado chegar. Só em novembro foi decidido cortar o inimigo e destruir. O movimento para o oeste duraria duas semanas e os ataques aéreos deveriam esconder a manobra. Com um só Corpo inicial seria um ataque pelo meio da fronteira do Kuwait. O risco de baixas esperadas era alto com um contra-ataque iraquiano.
Os EUA teve que mover um Corpo de Exército por 330 milhas de deserto para realizar o gancho. Um corpo aerotransportado moveu 500 milhas. Junto foi feito uma simulação de desembarque anfíbio para deslocar as forças iraquianas na direção contrária. O deslocamento de uma quantidade tão grande de tropas não seria possível em segredo sem a superioridade aérea.
As manobras para o gancho a esquerda iniciaram em 17 de janeiro. Tinham que esconder dos iraquianos e precisavam da campanha aérea para isso. No final conseguiram surpresa em relação a direção e intenções do ataque e o avanço pelo flanco oeste pegou os iraquianos completamente de surpresa. Os C-130 ajudaram muito o deslocamento como feito no Vietnã. Levava mais o pessoal do XVIIII Corpo Airborne de King Fahd para Rafha a 700 km. Era um pouso a cada sete minutos em 30 dias. Depois ajudou na construção de bases logística e transporte de suprimentos. Outra ação era levar itens críticos no deserto garantindo alta prontidão. Levaram 600 mil galões de combustível para bases avançadas (FOL) e bases logísticas para o US Army.
Os comboios e centros logísticos formados eram alvos bem lucrativos. Os iraquianos tinham poucos UAV para a fazer missões de reconhecimento em uma área tão bem defendida, mas não se sabe o que poderiam fazer com a informação. Um piloto do Iraque que penetrasse a fronteira da Arábia Saudita veria milhas e milhas de comboios indo para oeste e aeronaves C-130 e helicópteros de transporte acima.
Bem a oeste o XVIII Corpo Aéreo atacaria bem dentro do vale do Rio Eufrates com o movimento podendo ser interpretado como o primeiro estágio de um ataque a Bagdá. Na verdade era para bloquear e proteger o flanco do ataque principal do VII Corpo no leste. Também viria do oeste contra a Guarda Republicana e o exército iraquiano. A leste a 1a Divisão de Cavalaria atacaria Wadi al Batin e atacaria primeiro para mostrar que seria a direção principal. Duas Divisões do USMC com a Brigada Tiger do US Army com carros de combate M1 Abrams atacaria em direção a cidade do Kuwait. O ataque teria a intenção de sobrecarregar a estrutura de comando iraquiana que não estavam acostumados a gerenciar tanta informação de uma vez só.
O Poder Aéreo apoiaria o avanço das tropas evitando que as tropas iraquianas se concentrarem e o CAS seria usado para facilitar o avanço. Os pilotos foram ordenados a se arriscarem para apoiar as tropas voando mais baixo do que nas fases anteriores. Inicialmente os pilotos foram ordenados a não se arriscar pois nenhum alvo valia o valor da aeronave ou piloto. Após iniciar a ofensiva terrestre as restrições de altitude de ataque foram diminuídas e até eliminadas se as tropas em terra estiverem em perigo. Quando CAS existe a força luta a baixa altitude
A outra estratégia era diminuir o poder de luta em 50% das tropas. Algumas unidades sofreram até menos. Em fevereiro a preparação do campo de batalha era a principal missão principal da guerra aérea. Entre os dias 20 fevereiro ao dia 24 (dia D), os comandantes terrestres queriam mais ataques as forças frontais principalmente os alvos imediatamente a frente do avanço. O comandante Schwarzkopf ainda priorizava a Guarda Republicana. Foram nomeados dois mil alvos, mas só atacaram 300 entre as tropas terrestres. No dia 22 de fevereiro iniciaram ataques intensivos para preparar o campo de batalha. No dia 23 de fevereiro foram responsáveis por 89% das saídas. Mesmo assim não atingiram 50% dos danos esperado.
O efeito cumulativo foi a falta de água, comida e munição para as tropas. As tropas iraquianas que se renderam logo pediram comida. No fim da campanha aérea os iraquianos já previam que perderiam o Kuwait e era até arriscado perder o exército após a batalha em Khafji. A fuga das tropas iraquianas do Kuwait começou logo com a queda das primeiras bombas. Os alvos eram Centros de Comando, blindados e artilharia que eram a base para medir a efetividade de combate do inimigo.
As unidades de manobra em terra eram excelentes alvos para o bombardeiro em massa tipo "carpet bomb". Estas unidades são efetivas até os membros individuais decidirem que a coesão é necessária ou possível. Os ataques de precisão seriam numerosos e arriscados. O atrito para atacar veículos individuais era efetivo, mas demorava, mas tiveram tempo na Operação Desert Storm. A experiência da Segunda Guerra Mundial já tinha mostrado que o bombardeiro em massa não destruía blindado, mas pode quebrar a coesão das unidades sem destruir. Soldados podem desertar, render ou não lutar efetivamente.
No fim da guerra, a maioria dos prisioneiros de guerra cita que o B-52, a aeronave com menor precisão, foi a que teve maior impacto na moral. Os ataques de células de B-52 eram realizados a cada 3 horas de dia e a noite. Os prisioneiros não desertaram por terem seus blindados e artilharia destruídos. Até gostavam de saber o que eram o alvo para ficarem longe. A falta de comida e alimentos contou mais.
Os iraquianos esperavam ataques aéreos por alguns dias e até uma semana. Com a continuação e intensidade dos ataques passaram a perceber que o fim era certo. O medo da morte por bombas era pequeno, mas o medo estava sempre presente. O efeito do ataque era mais uma combinação dos alvos e intensidade. Aumentou de intensidade durante a guerra, primeiro na Guarda Republicana, e depois na linha de frente com cada um dos nove Kill Box recebendo 100 strikes por dia. Os ataques aéreos impediram as tropas de se moverem ou ficaram sem vontade de manobrar. Sem comunicações, atrito material, destruição do sistema distribuição ajudavam a diminuir o moral.

Na campanha terrestre os desertores mostraram que perderam a vontade de lutar. Os que se renderam em direção as tropas disseram que os que ficaram tinham intenção de se render e foi o que aconteceu. Alguns foram voluntários para dirigir até o campo de prisioneiros. Nenhum tentou fugir.

O assalto por terra iniciou a 1:00 hora da madrugada de 24 de fevereiro. Os B-52 atacaram pontos de abertura de brecha nos primeiros dias na linha de frente e depois na área do rio Eufrates. Nos primeiros dois dias da ofensiva atacavam mais as concentrações de tropas e equipamentos atrás da FSCL (Fire Support Coordination Line) e a noite mais em profundidade com apoio do JSTARS e FAC(A) (controlador aéreo avançado no ar).
Os franceses atacaram primeiro com uma missão de reconhecimento a frente da 6a Divisão Blindada Leve. A Divisão 101 lançou a base avançada Cobra 200 km dentro do Iraque. Os helicópteros Apache atacaram tropas ao redor e os FAC em terra guiaram os A-10 contra as posições inimigas. As 10:30h a base estava pronta para apoiar ataques mais ao norte. A força logística ligou para apoiar por terra. No dia 25 a base já estava a 40 km do rio Eufrates.
O XVIII Corpo Aéreo com a 24 Divisão de Infantaria avançou por último. A meia noite do dia 24/25 atingiu 79 milhas dentro do Iraque. Seria uma força de bloqueio para proteger o VII Corpo. Mais a leste a 1a Divisão de Cavalaria sondou a frente em Wadi al Batin para indicar onde seria a ofensiva principal. Ao contatar o VII Corpo destruiu elementos de cinco Divisões iraquianas.
O USMC no leste próximo a costa teriam uma distância menor para cobrir, mas eram defesas mais significativas. Só encontrou um batalhão de tanques e capturou intacta. No fim do dia atingiu a base de Al Jaber destruindo 31 carros de combate e capturando 3 mil tropas.
Após a batalha de Khafji os planos de avanço dos fuzileiros mudaram. Os sauditas ficaram confiantes e queriam avançar pela costa com o USMC mais a oeste indo direto para o aeroporto do Kuwait. Antes o USMC cercaria a cidade e os sauditas viriam atrás para combater nas casas e reconquistar a cidade. Depois receberam um setor próprio para avançar. Então a tropas tiveram que se mover por 100 km para oeste até Al Qaraah.
Três batalhões de fuzileiros treinaram para tomar a base aérea de Al Jaber em um assalto aéreo. A simulação em computador mostrou mais de 80% de baixas e foi cancelado. Precisariam de mais de 70 helicópteros e 10% seriam derrubado. Depois teria que esperar reforço até o dia seguinte chegar por terra no eixo principal. As imagem de UAVs mostraram muitas arvores e trincheiras na base o que dificultaria o assalto. . O único assalto aéreo do USMC foi de um batalhão no campo de petróleo de Burgan no Kuwait como parte da TF X-ray.
A missão passou a ser abrir uma brecha com dois batalhões para o resto das tropas passarem e segurar os flancos em uma posição de bloqueio. Seria feito por tropa a pé no deserto. Cada lado seria coberto por um batalhão com um buraco no meio para o avanço principal passar. O campo de minas na fronteira era fino, mas os pontos mais finos podiam estar sendo cobertos por artilharia. Era com os EUA fazia nas suas defesas
O avanço para a posição de bloqueio do USMC foi feito dois dias antes do ataque principal. As tropas que apareciam eram atacadas com artilharia e mísseis TOW. A aviação atacou pesado a frente para o inimigo ficar parado e só olhar para cima. Os OV-10 voavam acima fazendo reconhecimento a frente e chamaria CAS próximo as tropas.
As tropas foram atacadas a noite e pensaram que foram descobertos, mas era um míssil HARM que atacou um radar de contra-bateria. Um helicóptero de guerra psicológica americano quase foi derrubado, mas a unidade Stinger preferiu identificar primeiro antes de disparar.
O avanço foi as 22 horas em tempo frio e as nuvens acima diminuindo a visão com o NVG a 200 metros. Era até ótimo para penetração. A tropa avançou a até 1 km do campo minado e encontraram um bom local para ultrapassar. Limparam as minas com sondas, depois com veiculo anti-minas e avançavam no campo minado "limpo" pisando na pegada do soldado a frente. A maioria das minas estava na superfície e foram marcadas com bastões de luzes química. O campo minado parecia ser sido feito com preguiça. Simplesmente jogavam as minas no chão e nem armavam direito. As trincheiras iraquianas eram mal feitas e pouco profundas. As armadilhas de arame farpado acionaram explosivos no campo de óleo que queimou e iluminou a posição. Os iraquianos não reagiram.
No avanço principal do USMC a resistência foi pouca e as tropas logo se renderam. Estavam bem armadas e equipadas. Se quisessem poderiam ter dado muito trabalho aos fuzileiros. As tropas mais a retaguarda disparavam nos iraquianos se rendendo e até com morteiros. O FAC em terra enviou um OV-10 para tentar detectar o morteiros pois tinham esta capacidade. Algumas tropas tinham acabado de ser liberadas do Irã em dezembro e foram logo enviadas para a frente de batalha. Receberam armas e roupas novas e foram enviadas para a frente. Se renderam pois queriam é voltar para casa.
O USMC consideraram a tomada do Kuwait bem fácil pois havia cinco Divisões e cinco Brigadas de forças especiais direcionada para a costa. Não podiam se movimentar a não ser com ordens de Saddam. Havia uma brigada no aeroporto do Kuwait. Ao mover para encarar o avanço por terra a guerra já estava praticamente terminada. Na volta para a Arábia Saudita as tropas viam o estrago do avanço com veículos nas laterais da estrada e a estrada toda esburacada pela artilharia. Também viram os lançadores de foguetes Astros destruídos que tanto os incomodavam antes da fase terrestre.
No segundo dia as tropas do USMC já podiam cercar a cidade do Kuwait e as rotas de fuga. A 101 Divisão estabeleceu uma posições de bloqueio no rio Eufrates a oeste de Nasiriyah na rodovia 8. Foram auxiliados pelos C-130 que lançaram 100 toneladas de comida e água para ajudar os prisioneiros capturados. A leste a 24 Divisão de Infantaria estava em posição para cobrir o flanco do VII Corpo. O terreno molhado atrasou o avanço.
O VII Corpo avançou para o contato. A aérea a frente até 70 km foi atacada pelos A-10 e depois pela artilharia pesada antes de chegarem. Foi apenas um engajamento do dia contra uma Brigada destruída no contra-ataque de 40-45 blindados em 10 minutos.
O USMC teve o avanço atrasado por uma série de contra-ataques. Não precisava ser um avanço rápido ou não daria para cercar com tropas vindas do oeste. O avanço teve muito apoio de CAS dos AV-8B, A-10 e F/A-18.
O dia 25 foi ótimo para voar devido ao bom tempo. Com as tropas em terra varrendo as posições de artilharia antiaérea e mísseis SAM, os A-10 teve o trabalho facilitado. De 239 saídas apenas 89 foram consideradas ineficazes. Voavam baixo podendo atacar com o canhão de 30 mm. Dois pilotos destruíram 23 carros de combate apoiados por um FAC em terra. Em outra ocasião os soldados e seus carros de combate se renderam assim que os A-10 apareciam. Os AV-8B realizaram 274 saídas e em 143 não dispararam as armas.
No dia 25 os Iraquianos devem ter acordado para a catástrofe no campo de batalha. Saddam anunciou a retirada geral do Kuwait mais para salvar o seu exército. Tentaram dois bloqueios para cobrir a retirada. No oeste a Guarda Republicana tentaria barrar a coalizão e uma Divisão blindada no leste tentaria barrar o avanço na cidade do Kuwait.
No dia 26 a 24a Divisão de Infantaria atingiu o vale do rio Eufrates. Fizeram outro bloqueio de estrada na Rodovia 8 e atacaram as bases aéreas de Tallil e Jaliba. Os A-10 apoiaram os ataques em Tallil que foi tomado no fim do dia. O VII Corpo atingiu uma posição ao norte e podia varrer as tropas iraquianas em direção ao leste. O VII Corpo tinha quatro Divisões divididas de norte a sul e um regimento blindado.
Na noite do dia 26/27 as forças de bloqueio do Iraque foram completamente destruídas. O VII Corpo destruiu a 12a e 52a Divisão blindada, a maior parte da Divisão Tawakalna e a 48a Divisão de Infantaria com poucas baixas.

O avanço do USMC quebrou a coesão das defesas ao sul do Kuwait no dia 26. A rodovia para Basra foi atacada pelo ar. Com a cabeça fuga bloqueada virou um engarrafamento gigante que foi chamado de "rodovia da morte". A tomada do aeroporto internacional do Kuwait teve resistência mais pesada e os AV-8B e F/A-18 fizeram CAS para amansar as tropas. No dia 27 as tropas do Iraque atingindo Basra podiam ser atacadas e destruídas, mas o cessar fogo já era esperado.
Os iraquianos esperavam que o avanço mudasse para uma guerra estática com atrito pesado nos dois lados. As tropas avançadas dariam alerta e iniciariam o atrito. Atrás da frente quatro Divisões blindadas contra atacariam para selar a penetração. Mais atrás dois Corpos fariam um contra-ataque pesado. Depois seria seguido da Guarda Republicana para o golpe final. Na prática não tiveram tempo para se concentrar para as ações. Na verdade a infantaria entrou em colapso logo no começo. As reservas confrontaram tropas avançando mais rápido do que o esperado. Não esperavam ataque no oeste e sim do sul percebendo a falha muito tarde. As táticas de atrasar com trincheiras de petróleo já tinham sido anuladas pelos F-117 que atacaram as bombas de óleo.

O TACS (Tactical Air Control System) deslocado para a Operação Desert Storm apoiaria as tropas de quatro modos: com as ATO (ordens fragmentárias); ações do ASOC (Air Support Operation Center); TACP; e ABCCC. O TACS atua com dois tipos de pedidos de CAS: imediato e pré-planejado, com pedidos para apoiar futuras operações.
O pedido imediato é originado nos níveis mais baixo das tropas ou estrutura de comando até o nível de pelotão ou companhia. O pedido vai para o TACP, depois de validado era passado para o ASOC, e o ASOC dá valor conforme a urgência e plano operacional. O próximo passo pode ter várias rotas. O espaço aéreo pode estar sendo controlado pelo CRC, ABCCC, AWACS, ASOC ou uma combinação. Por exemplo, se o ASOC estiver controlando as aeronaves CAS então simplesmente chama as aeronaves disponíveis e direciona para a área onde o CAS for necessário. Se não tem aeronaves disponíveis então chama o TACC e pede aeronaves disponíveis, podendo ser alerta em terra ou no ar.
Se o ABCCC estiver controlando as aeronaves e o AWACS o espaço aéreo, o ASOC pede aeronaves para o ABCCC. Se tiver aeronave envia e se não pede para o AWACS. Se AWACS também estiver sem aeronaves pede para o TACC. As aeronaves enviadas são indicadas a contatar um FAC em terra ou no ar. O FAC ajuda a identificar os alvos e as tropas amigas.
O CAS pré-planejado é organizado de forma diferente. O pedido origina na cadeia mais alta de comando. O BCE no TACC prioriza os objetivos das tropas em terra e cria as ATO.
A localização de alvos e controle de saídas além da FSCL era feita por vários meios como o AWACS, ABCCC, JSTARS, Fast FAC e Killer Scout. Os alvos eram áreas de reunião, comboios de estradas, Postos de Comando, artilharia, lançadores de foguetes, e mísseis SSM, além de forças de manobras como blindados e carros de combate. Os UAV foram empregados pela primeira vez em combate sendo usados os Pionner, Pointer e Exdrone.
O JSTARS ajudava a localizando alvos fixos e móveis nos Kill Box e passava as coordenadas para o centro de comando da USAF (ABCCC) e do USMC (DASC). O AWACS e ABCCC controlavam com o C2 as operações nos Kill Box.
Seis C-130 ABCCC operavam no local com um voando em uma órbita próximo a frente de batalha. A aeronave fazia Comando e Controle para as missões de Apoio Aéreo Aproximado e Interdição do Campo de Batalha (CAS/BAI). O ABCCC controlava o trafego entre os Kill Box, e controlava a quantidade e posição das aeronaves na frente de batalha.

Os AWACS ajudavam com conselhos, alertas de ameaças, chamava escolta de supressão de defesas e patrulhas de combate aéreo se necessário, passava frequência dos FAC, e direcionava para o REVO. Os E-3 orbitavam por 12 horas mais 2-3 horas para ir ou vir para a base. O Estado Maior do Airborne Command Element (ACE) ficava no AWACS. O ACE tomava decisões importantes como quem vai reabastecer primeiro se tem muitos caças para fazer REVO e escolhe a prioridade e quem vai para outra aeronave REVO.

Imagem da tela do radar do JSTARS mostrando alvos móveis. A imagem acima é da fuga das tropas iraquianas do KTO, chamada de "a mãe de todas as fugas", depois que Saddam afirmou que a batalha pelo Kuwait seria a "mãe de todas as batalhas".

A FSCL (Fire Support Coordination Line) foi usada para coordenar fogos. O AWACS e ABCCC coordenava o fluxo de informações do JSTARS. O ASOC controlava a informações com o FAC indicando onde havia tropas amigas e inimigas. Em uma ocasião um F-16 Killer Scout notificou o ASOC do XVIII Corpo Aéreo de uma formação blindado próximo a base aérea de Jaliba. O ASOC identificou como sendo a 24a Divisão de Infantaria. Os caças chegando para o ataque logo foram alertados que os alvos maravilhosos abaixo eram amigos.
A FSCL foi movida sem referencia ao comandante aéreo em várias ocasiões como próximo a Basra e no norte do rio Eufrates. No caso do Eufrates, o US Army planejava realizar incursões de helicópteros Apache contra alvos em Hawar al Hammar e moveram a FSCL para poder atacar. Estavam tentando evitar serem controlados pela USAF. O resultado foi atrapalhar o ataques da USAF e US Navy no norte do Eufrates e rodovias no local a não ser com FAC(A), mas estavam todos concentrados nas missões de CAS no KTO. Mas mau tempo atrapalharia mesmo se estivessem disponíveis. O TACC conseguiu convencer o alto comando das forçar a mover a FSCL para trás. Demorou 15 horas e enquanto isso os ataques com os Apaches contra veículos fugindo foram poucos.


Movimento da FSCL a frente do avanço do USMC entre os dias 24 a 26 de fevereiro. Os pontos são alvos atacados pelas aeronaves do USMC.
Com poucos episódios de baixas amigas os episódios de fogo amigo puderam ser analisados em profundidade. Boa parte foi fogo amigo e estavam mais relacionados com a rapidez do avanço. O mau tempo também assim como a fumaça do óleo queimando. Movimentação metódica poderia ser uma medida para diminuir as baixas amigas, mas permitindo que o inimigo se organizasse e causasse baixas.
A coordenação ar-terra próximo das linhas em CAS era feito pelos FAC para evitar fogo amigo. Com um FAC no ar preferiam que o inimigo escapasse a arriscar fogo amigo. Em terra é não atacar se tiver qualquer dúvida que seja amigo ou inimigo Mesmo assim ocorreram episódios de fratricídio. De 247 mortes em batalha na Operação Desert Storm, 35 foram de fogo amigo. O fogo ar-solo foi responsável por 11 perdas. Estes 4,5% pode ser baixo, mas seria ainda menor se as tropas iraquianas fossem mais eficientes. A maior perda foi um veiculo atingido por um A-10 matando sete tropas. Era uma aeronave especializada em CAS. A causa foi dada a um míssil Maverick que não funcionou direito. Os fuzileiros perderam 24 homens sendo metade por fogo amigo. No Vietnã podiam perder mais que isso em um pelotão emboscado na fronteira com o Vietnã do Norte.
Foram dois blindados atacados por engano, mas a aviação atacou cerca de 10 mil veículos inimigos. Foram mais de 45 mil ataques próximo as tropas com pouco fogo amigo. A maioria ocorreu a noite quando é mais difícil identificar os alvos. No ar foram mais de três mil saídas ar-ar sem fratricídio.
A frase "fogo amigo" é o termo mais sério no vocabulário do CAS. Desde o primeiro dia de treinamento os pilotos aprendem o conceito de fratricídio como sendo a maior falha da missão. Mesmo assim erros são cometidos. O "V" invertido pintado nos veículos funcionava para identificação terra x terra, mas não ajudou os pilotos por ser difícil de ver do ar. A área da Operação Desert Storm era relativamente plana e sem vegetação para ocultar alvos ao contrario de alvos na Europa, Bálcãs e Coréia do norte. Os veículos podiam ser facilmente detectados. Em contato com tropas amigas pode ser difícil saber quem esté de que lado.
O CAS noturno era limitado ao uso de bombas de queda livre disparada paralela a frente para diminuir o risco de fogo amigo. O míssil Maverick era disparado a 2 km das tropas amigas e o canhão a 1 km. O A-10 não fez CAS noturno pois os OA-10 não podia operar a noite. Os alvos noturnos eram artilharia e blindados em posições fixas ou comboios se movendo. Todos os A-10 estavam equipados com o detector laser Pave Penny, mas foi pouco usado em CAS. Os mísseis Maverick IR e flares eram usados para aquisição de alvos a noite. Disparavam em mergulho raso e altitude mais baixa que de dia para diminuir a efetividade da artilharia antiaérea e MANPADS. Os A-6E foram usados apenas a noite para CAS/DAS e reconhecimento armado.
O uso de FAC em terra foi uma das técnicas para evitar fratricídio no Golfo. Criaram zonas onde os caças só atacavam com controle de FAC em terra. Depois estavam livres a frente da FSCL. No USMC consideram CAS como apoio de FAC e sem apoio de interdição aérea, mas dentro do FSCL.
Os FAC tinham outras funções além de evitar fogo amigo. No planejamento das operações o FAC orientava sobre o uso do CAS. Podia sugerir chamar helicópteros para acompanhar as patrulhas, avanços e fazer vigilância, ou indicar se teriam disponibilidade de CAS de aeronaves. Todo batalhão do USMC tinha um capitão que era um FAC. Antes da operação treinaram SIMCAS (simulated CAS) com os F/A-18 e Harrier. Os FAC tinham disponibilidade de GPS o que era raro na época e muito útil no deserto.
O rádio dos FAC do USMC não tinha salto frequência Have Quick como os da USAF. O Have Quick muda de frequência automaticamente evitando o inimigo trancar e jamear. Já o rádio encriptado leva 2-3 segundos atrasando as transmissões o que podia ser vital pois era quando os caça mergulhavam e não dava tempo para cancelar. Então não usavam rádio encriptado no final do ataque.
No ar as tarefas dos FAC(A) foram realizadas pelos OV-10 e F/A-18D no USMC e pelos F-16 Killer Scout e OA-10 na USAF. O USMC também usaram os helicópteros AH-1T/W e UH-1N como FAC(A). Os AH-1W Super Cobra do USMC dispararam quase quatro mil foguetes sendo metade de fumaça para marcar alvos.
Uma aeronave que atuou como FAC(A) foram os F-16 "Killer Scouts" (nome dado aos F-16 atuando como FAC(A)). Eram F-16 equipados com GPS que voavam missões continuamente nos Kill Box fazendo reconhecimento armado e controle de ataque. Marcavam alvos, faziam supressão de defesas e também atacavam alvos móveis. Atualizavam a localização de alvos, e davam um resumo da situação em terra. Os Killer Scouts tinham código Pointer e as aeronaves de ataque com código de cachorros. Enquanto no Vietnã era o presidente Johnson que escolhia os alvos, na Operação Desert Storm era um capitão em um Killer Scout.

Os F-16 decolavam em uma ou duas esquadrilhas armados com duas Mk84 ou CBU. Faziam REVO antes de entrar no KTO, contatava o FAC que descrevia os alvos antes de chegarem alguns minutos antes. Os Killer Scout pedia o HSO, por exemplo, 15 minutos, que era informado automaticamente com ajuda do INS. Quem chegava antes atacava primeiro. Os F-16 entravam a 30 mil pés e desciam a 20 mil na área do alvo.
A função secundária dos F-16 Killer Scout seria detectar o avanço rápido das tropas terrestres amigas na Fire Support Coordination Line (FSCL) evitando fogo amigo. Na campanha terrestre os Killer Scout foram usados para controle de trafego entre as forças terrestres e aéreas e prevenir fogo amigo. As tropas se moveram rápido ou cerca de 35 km/h nas tropas de frente. Os caças lançados uma hora antes podiam atacar estas forças que agora estavam nos alvos. O avanço blindado rápido em Jaliba foi detectado pelos Killer Scout pois o avanço da 24a Divisão de Infantaria estava bem a frente da FSCL. O contato com rádio com as tropas facilitava a missão. Também passavam informações sobre a linha de avanço para o comando central como o TACC. A campanha terrestre também aumentou a ameaça de mísseis SAM e artilharia antiaérea.
A USAF deslocou um esquadrão com 12 OA-10 para a Operação Desert Storm para atuar em missões de FAC(A). Voaram 656 saídas incluindo controlando missões de CAS. Dois OA-10 foram derrubados. Os OA-10 atuavam a 10 mil pés adquirindo alvos. Os pilotos treinavam para atuar a baixa altitude, mas no Golfo foi só a média altitude. Iam para os Kill Box e caçavam alvos por 30 minutos. Detectavam os alvos com dificuldade e era difícil diferenciar um alvo verdadeiro de falso e de vazio. Alguns pilotos usavam binóculos para identificar os alvos, mas a vibração atrapalhava. Atuavam sozinhos ou em duplas para apoio mútuo. Como eram poucos AO-10 então voavam mais sozinhos. Eram mais vulneráveis nas passadas baixas para identificar os alvos. Podiam descer na zona de engajamento da artilharia antiaérea e MANPADS a 4-6 mil pés ou esperar os caças chegarem para dar cobertura. Na primeira opção dois OA-10 foram derrubados. Na segunda opção desperdiçavam tempo, mas era a conduta usada sempre em áreas bem defendidas. Os OA-10 dispararam cerca de três mil foguetes de fumaça e 16 mil tiros de 30mm para marcar alvos. Os OA-10 também faziam reconhecimento meteorológico para o ABCCC direcionar os FAC(A) para as regiões com bom tempo.
O USMC enviou 20 OV-10A/D Bronco para a Operação Desert Storm atuando junto com os AV-8B na base naval Rei Abdul Azizl. No dia primeiro de janeiro eram oito aeronaves e no dia primeiro de fevereiro já eram 19. O modelo OV-10D com FLIR AN/AAS-37 eram 11 aeronaves. O FLIR dava capacidade noturna e era usado para designação de armas guiadas a laser, observação noturna e reconhecimento.
Inicialmente os pilotos voavam uma missão por dia que durava cerca de 4 horas. Geralmente era uma patrulha na fronteira do Kuwait e Arábia Saudita para mapear as posições de tropas e posições inimigas. Também foram usados para reconhecimento visual, reconhecimento com FLIR, FAC(A), retransmissão de comunicações, observador de artilharia naval e terrestre. Eram apoiados pelos Force Recon e Seals para indicar alvos.
Os OV-10 voaram 482 saídas sendo 411 apoiando missões de CAS. Atuavam em missões de reconhecimento visual, FAC, reconhecimento armado, escolta helicóptero, retransmissão de rádio e C2. Os OV-10 voaram como FAC(A) dentro da FSCL. Devido as perdas iniciais ficaram restritos a voar em território amigo.
Com o inicio da guerra terrestre passaram a dar cobertura 24 horas no campo de batalha. Os OV-10 cobriam três posições por 24 horas fazendo FAC(A) junto as tropas do USMC durante o avanço na batalha terrestre. Foram usados como TACA e FAC(A).
Um OV-10 Bronco derrubado Golfo foi atacado por um MANPADS por trás cerca de 7 km dentro do território inimigo. Na batalha de Khafji foram os primeiros a detectar as colunas blindadas e chamar os A-6E. Nos primeiros dias da campanha aérea já localizavam posições de artilharia para ataque dos AV-8B Harrier. No segundo dia um OV-10 foi derrubado e mudaram a zona para patrulha sem perdas. No ataque ao aeroporto na cidade do Kuwait outro OV-10 foi derrubado por um MANPADS.
O USMC enviou 12 caças F/A-18D Hornet para a Operação Desert Storm. Era uma versão biposto do Hornet capaz de fazer reconhecimento multisensor, apoiar a coordenação de arma como ataques aéreos, apoio de fogo naval, artilharia e CAP. Todos estavam equipados com FLIR. De dia usavam binóculos para localizar e identificar alvos e marcava com foguetes de fumaça. As tripulações se familiarizavam com o campo de batalha para facilitar o trabalho. A noite eram apoiados pelo NVG, FLIR e mapa móvel digital colorido. Atuaram como TAC e FAC(A), ou Fast FAC, identificando alvos a frente das tropas e cobrindo o campo de batalha 24 horas por dia para apoiar as missões de CAS. Faziam reconhecimento visual e tático no campo de batalha e atualizavam os comandantes em terra dos movimentos e posições inimigas. Foram 557 saídas do tipo, boa parte a noite, com nenhuma aeronave perdia e duas sofreram danos leves.
Os F/A-18D operavam mais em profundidade apoiando operações de ataque (Deep Air Support) enquanto os OV-10 atuavam mais próximos as tropas apoiando missões de CAS. Disparam 2.325 foguetes de fumaça e 27 mil tiros de 20mm. Na batalha terrestre os F/A-18D foram usados só para Fast FAC e voavam duas órbitas Fast FAC no KTO de dia continuamente na campanha terrestre. A noite um Fast FAC voava a cada 30 minutos em cada hora.

A ofensiva terrestre ocorreu entre os dias 24 a 28 de fevereiro. Com a data planejada as saídas foram definidas previamente e toda a ação aérea foi direcionada para apoiar a ofensiva em terra. As saídas de CAS e AI no KTO viraram prioridade.
As ATO controlavam e coordenavam o fluxo de missões aéreas. A ATO era responsável por evitar conflito de trafego aérea, evitar fratricídio no ar e coordenava a fase estratégica, mas para os comandantes em terra as ATO não foram usadas devido a demora de 72 horas no ciclo de decisão, não podendo ser a resposta a sua necessidade na fase de assalto e preparação. Então criaram a tática "push flow" para resolver isso.
A tática "push CAS" criaria as saídas CAS desejadas em um ambiente rico em alvos. As esquadrilhas chegavam em um local na rota de ataque continuamente, até de 7 em 7 minutos, ao invés das tropa em terra esperarem chegar após pedirem uma missão. Assim o CAS eram "empurrada" para as tropas. Se ninguém precisasse da missão os caças ficavam em órbita por um tempo. Se não fossem chamadas iriam os alvos secundários de Interdição Aérea ou alvos pré-determinados mais em profundidade e eram substituídos por outra esquadrilha. As novas aeronaves chegariam para substituir e assim as tropas sempre teriam aeronaves para CAS disponíveis rapidamente se precisassem. O sistema funcionou bem com aeronaves de sobra. Enquanto o "Push CAS" atua com fluxo constante o "Pull CAS" atua com alerta em terra.
O USMC também realizou seu próprio "Push CAS". A 2a MAW iniciou as operações em 22 de fevereiro dois dias antes do assalto em terra quando foi iniciada a preparação para a penetração no Kuwait. As aeronaves decolavam em intervalos previsíveis, sem alvo especifico ou missão. Checavam com o TACC e passava para o DASC. Após checar com o DASC iam para o empilhamento primário esperando uma missão de CAS. Se não aparecesse um alvo em 7 minutos de dia e 15 minutos a noite, eram passados para o F/A-18 Fast FAC para fazer Deep Air Support.

No dia 24 de fevereiro foram 550 saídas da USAF e USMC com os A-10, AV-8B e F/A-18 nas missões de CAS. As aeronaves da USAF voaram 381 saídas de AI e 70 de CAS. O USMC adicionou 46 saídas de interdição aérea e 28 de CAS. Foram definidas como CAS por serem próximas a fronteira da Arábia Saudita e não apoiaram tropas engajadas com iraquianos. As aeronaves da US Navy e outros países não fizeram CAS. As aeronaves também tinham apoio de aeronaves de guerra eletrônica, jameando radares de vigilância, contra-bateria e radar de busca das baterias de mísseis SAM.

No dia 24 uma saída típica era Jaguar atacando a base aérea de As Salman, F-16 atacando a base aérea de Al Busayyah, e A-4 atacando artilharia na área norte.
Foi planejado 50 saídas por hora para uma frente de 200 km e poucas foram usadas. A maioria foi enviada para AI além da frente pois as tropas não precisaram. Contra resistência leve as tropas usavam mais seus próprios meios de apoio de fogo como blindados e artilharia.

A maioria das aeronaves tinha alvo ao decolar e outros seriam enviadas para o sistema "push CAS", mas sem alvo. As saídas sem alvo de CAS eram direcionadas pelo ABCCC para realizar missões AI. As aeronaves iam para a área sem alvo definido e recebiam um alvo do JSTARS, Killer Scout ou F/A-18D. A tática facilitou o planejamento podendo ajustar a situação tática ainda no ar.
A ofensiva em terra teve poucas oportunidades para as missões de CAS. Os alvos eram menos que o esperado pois os iraquianos se renderam em grande quantidade. As saídas CAS reais foram poucas. Foi citado como 500 por dia nas ATO, mas nos dados do USMC foram 14% dessas saídas. Já na primeira manhã os FAC em terra estavam mandando as aeronaves voltarem para o TACC por não serem necessárias e várias voltaram para a base com armas. As aeronaves de CAS primário eram os A-10 e AV-8B. Os A-10 foram 316 de 909 sadias ou 35% como disparando bombas. Os AV-8B foram 143 sem disparos e 131 com disparo.
O mau tempo e a fumaça dos oleodutos atrapalhou o disparo visual e atrapalhava a coordenação. O avanço foi rápido assim como a mudança do posicionamento da FSCL e as áreas de interdição também mudavam rápido. A navegação no deserto era difícil e criava mais riscos. Foram muitas operações noturnas onde não ocorreria CAS como já planejado. Ficou difícil distinguir as tropas amigas das inimigas e o CAS ficou perigoso.
A resistência foi fraca e com pouca oposição foram gerados poucos alvos com poucos episódios de TIC (tropas em contato). Sem muita resistência no avanço o CAS teve papel periférico na guerra. Todas as forças iraquianas caíram rápido, geralmente sem resistência o com resistência leve. A não ser pouca resistência determinada, como em duas na área do USMC e vários na frente do US Army como a Guarda Republicana, foram poucas onde tropas em terra não deram conta. As tropas em contato foram poucos para mostrar como o CAS era eficiente. O avanço em terra foi tão rápido que os FAC em terra geralmente se recusavam a liberar os ataques devido ao risco de fratricídio. Os pilotos de Apache citam que quando um blindado era atingido os outros eram abandonados pela tripulação que fugia. Na maioria dos engajamento contra blindados os iraquianos estavam parados e não atiravam.
As saídas foram bem mais que o necessário e iam para alvos alternativos a frente do avanço. Foram poucas saídas de CAS reais e o maior estrago foi contra as tropas de reserva e fugindo. A rodovia da morte virou um gargalo do trafego na fuga.
No total foram realizados 23.400 ataques diretos contra as forças iraquianas no KTO. Desse total, 1.050 da USAF e 750 do USMC foram em apoio a forças da coalizão avançando em terra. Em termos relativo pode ser diferente pois foram 550 saídas por dia nas 100 horas de combate em terra, em relação as 23.400 em 42 dias, com uma média de 430 por dia. Quando é necessária o CAS se torna a missão mais importante. No geral foram apenas 6% de todas as missões. Para o USMC eram todas as saídas a até 5 milhas da frente aumentando o número total. Nas contas do USMC 70% das aeronaves faziam CAS e 14% chegaram perto da FSCL e poucas engajara alvos.
O US Army usada o CAS diferente do USMC. O CAS atuavam 40 milhas a frente enquanto a artilharia ou os Apaches atuavam mais próximos. Um exemplo foi um ataque dos A-10 contra a base aérea de Tallil em 27 de fevereiro antes do assalto da 24Tawakalna em 26 de fevereiro antes da batalha da rodovia 73 Leste. Divisão e depois contra a Divisão
O US Army pediu pouco apoio aéreo aproximado. Preferiam usar o poder de fogo orgânico como artilharia, helicópteros e carros de combate M-1 Abrams. Os helicópteros de ataque do US Army e USMC também fizeram CAS. Os AH-64 fizeram incursões além da fronteira uma semana antes dos combates em terra, de até 50 milhas ou mais nos dois últimos dias finais da guerra. Faziam o CAS mais próximo por poderem manobrar com as tropas e manter contato.
Os helicópteros viram ação junto com as tropas em frente e de forma independente em ataques profundidade atrás das linhas, principalmente no XVIII Corpo. Foram usados mais em teto baixo e fumaça. Na área mais restrita do USMC atuavam bem próximo as tropas avançando. Foram usadas contra tropas se retirando.

O CAS não foi considerado essencial para cumprir a missão pois o US Army tinha muita artilharia. Já o USMC investiu muito no CAS e precisava pois tinha menos poder de fogo orgânico, mas resistência foi pouca e não deu para testar o sistema direito.

Interdição Aérea na Fase IV
A maior parte das saídas no KTO no avanço ainda foi de interdição aérea. O mau tempo impedia a maioria das saídas de CAS então foram desviadas para AI evitando que os iraquianos se movessem, enviassem suprimentos, e atacando postos de comando, estradas e pontes. A noite os Kill Box era atacados pelos F-111, F-15E, A-6 e F-16 com LANTIRN (dois esquadrões) atacando mais ao norte. Os Tornados e F-117 continuaram atacando alvos estratégicos. Os Tornados atacaram bases aéreas e a força na Turquia também atacou alvos estratégicos.
A Interdição Aérea realizada na campanha terrestre foi em mau tempo, com mudança de alvos rapidamente, assim como prioridade de alvos. A área de operação diminuiu com o avanço e os ataques logo saíram do KTO. Foram duas fases, a primeira com o inicio da guerra em terra em 25 de fevereiro atacando as Divisões de reserva e a Guarda Republicana para evitar que se movimentassem. A segunda fase iniciou após o reconhecimento indicar a fuga em massa das tropas do Iraque fim do dia 25 fevereiro. Então o foco até o fim da guerra era perseguir e destruir a força retraindo.
A interdição aérea foi considerada efetiva pois as tropas se concentraram para reagir e fugir e se tornaram alvos lucrativos. Inicialmente atacariam a contra-ofensiva, mas como estavam fugindo a aviação se concentrou na fuga. Os choke points na fuga foram as estrada saindo do Kuwait e outra era Basra onde as pontes estavam derrubadas.
As forças mais atacadas estavam mais ao sul enquanto as mais ao norte tinham mais chances de fugirem intactas. Os choke point era as montanhas de Mutla a oeste da cidade do Kuwait e a estrada para Basra com vários choke point naturais. Os choke point criavam várias milhas de trafego engarrafado fácil de ser atacado e virou rodovia da morte nos noticiários. Estimado mais de 1.400 veículos destruídos, mas encontraram apenas 28 blindados entre eles. Encontraram 200 a 300 mortos na área com resto fugindo ou virando prisioneiros. O terceiro choke point era cidade de Basra. Todas as pontes no canal da cidade foram destruídas e o trafego parou. O local não foi atacado por ser uma cidade, devido ao mau tempo e o risco de atingirem o Irã.
Foi na fase de movimento da Guarda Republicana que sofreram o maior dano em equipamento. Os prisioneiros confirmaram a não ser depois com tank plinking. Um prisioneiro veterano da guerra contra Irã cita que sua Brigada sofreu mais em 30 minutos que em oito anos contra Irã.

Rodovia da Morte. Os iraquianos eram bem vulneráveis se movendo, de dia ou a noite, comparado com as tropas entrincheiradas. O JSTARS identificava a trilha de colunas atacando ou retirando, e os caças com munição guiada podia atacar os alvos. Veículos fora de abrigos ou se momento eram susceptíveis a mais armas como canhões e minas aéreas. O sucesso contra as forças móveis foi maior que contra as forças abrigadas, camufladas ou com outras medidas de defesa passiva.

Ataques de Interdição entre os dias 26 a 27 de fevereiro. Os retângulos indicam as áreas com grande concentração de ataques. As saídas dos A-10 e AV-8B não estão incluídas.
A ponte em Hwar Al Hammar era outro choke point principalmente da Guarda Republicana. Foi bloqueada na tarde de 26 fevereiro pelos F-111F e depois seguida por outras aeronaves incluindo helicópteros Apache. As tropas encontraram mais de 500 veículos abandonados no local.

O USMC temia muito a artilharia do Iraque por ter maior alcance que as suas. As tropas do USMC foram atacadas por foguetes de 300mm do lançador ASTROS. Não esperavam que a artilharia fosse até Khafji. No primeiro ataque os foguetes atingiram a posição a cerca de 1km de distância a noite. Alguns viram os foguetes caindo sendo cerca de 7 a 8. Caíram na posição das tropas do Qatar sem causar baixas. Depois passaram a ser atacados todas as noites entre as 18 e 22 horas e em mau tempo. O efeito psicológico foi grande. Pelo tamanho da cratera que determinaram como sendo foguetes de 300mm. Os ataques foram apelidados de "washing machine charlie" devido a um programa de TV.
A artilharia iraquiana era considerada efetiva sendo o alvo prioritário seguido de carros de combate, blindados e pessoal. Esperavam que os iraquianos concentrassem sua artilharia e até usariam armas químicas. Estudaram o padrão de ação contra o Irã quando usavam táticas de pegar tropas iranianas em ciladas e confinar em "fire-shacks", onde milhares morriam. A coalizão sabia que tinham mais de 1.200 peças a frente dos fuzileiros. Estudaram a posição e parecia que queriam armar ciladas em duas fire-sack durante o avanço. O fogo na área já tinha sido pré-plotado ou pré-disparado e seria bem rápido. Sabiam que a aviação não daria conta de atacar tudo então iniciaram emboscadas de armas combinadas para derrotar a artilharia iraquiana.
Os raids de artilharia iniciaram na noite de 20-21 de janeiro. Provocariam a reação nas forças iraquianas e os atacariam até sair das posições fortificadas e retornar fogo. Radares contra-baterias cobririam a até 40 km. Resultado é que o fogo de contra-bateria teria que ser feito pelos caças. Os EA-6B do USMC apoiariam jameando rádios e radares de contra-baterias iraquianos.
As baterias moveriam a 20-30 km da posição com tropas nos flancos usando peças M-198 de 155mm. Um FAC em terra apoiaria coordenando com aeronaves A-6E e A-10 em caso de contra-ataque por terra. Era mais uma emboscada de artilharia. A bateria tomava posição e esperavam aparecer no alcance. Disparava e muda rápido de posição. Um caminhão tinha INS ia para a posição desejava sem alteração. Com os iraquianos disparando na posição enviaram duas baterias. Disparavam, os iraquianos reagiam, e outra bateria contra-atacava. Depois os ataques diminuíram. Os caças e RPV procuravam veículos se movendo a noite no lado iraquiano.

Os raids de artilharia foram usados para engodo, mantendo os iraquianos fora do foco e testando a resposta iraquiana. O USMC aprendeu que respondiam ao fogo se atacados e era fogo sem precisão. Então a artilharia do USMC avançava e atirava. Os radares, Fast FAC e os caças esperavam o fogo de retorno, localizavam e atacavam. Os prisioneiros citam que o fogo de contra-bateria era tão preciso que disparavam e logo se escondiam esperando o fogo de precisão. Com o avanço continuaram a usar esta tática, mas diminuiu de necessidade.

O deserto no Kuwait deixava difícil ocultar alvos, mas absorvia e abafava o efeito das explosões e concussão, ao contrario do solo duro que espalha a explosão e os fragmentos em uma grande área. Os danos secundários eram menores no deserto. Então as armas de precisão seriam necessárias. Antes da campanha aérea iniciar planejavam atritar as tropas em terra com o uso de mísseis Maverick disparados pelos F-16, A-10 e AV-8B e outra munições especiais. Apenas os A-10 dispararam o Maverick, em grande quantidade, ou 5.013 de 5.296 no total. O USMC disparou apenas 41 mísseis Maverick.
Foi estimado que quatro F-16 armados com oito Maverick ou 16 CBU-89 poderiam destruir três carros de combate. O Maverick nunca foi uma arma primaria do F-16 e poucos pilotos estavam treinados para disparar a arma. Os instrumentos eram inadequados para disparar. Então a maioria dos ataques dos F-16 foi com bombas. Os F-16 realizaram 8.700 saídas de bombardeiros e apenas 130 com disparo de mísseis Maverick. Foram lançadas 12.500 bombas em cacho (CBU) e 3.600 Rockeye. O disparo era a 8 a 12 mil pés e não eram efetivos. A CBU-87 era a preferida, mas com muitas falhas na submunição atrapalharam o avanço da coalizão. O resultado foi usar bombas burras com pouca esperança de atingir alvos.
O uso das CBU-89 Gator anti-carro foi planejada, mas foi usada bem menos que o esperado. As bombas Mk de uso geral disparadas a média altitude eram imprecisas com CEP de 320 pés para o F-15E e 1.040 pés para o A-10. Depois os kits Paveway tornaram as bombas Mk úteis. A USAF disparou 4.086 GBU-12, 202 pelo USMC e 205 pela US Navy. Os A-10 não puderam usar o canhão de 30 mm direito e nem outras armas a baixa altitude como a CBU-52 e Rockeye. Os F-111E e F-16 operando na Turquia atacaram mais ao sul nas duas semanas finais até Bagdá para aumentar a pressão e evitar que as tropas no norte fossem deslocadas para o sul.
As bombas guiadas a laser foram pouco usadas na fase terrestre ou apenas 162 saídas de F-111F contra Guarda Republicana e a noite. Usaram mais minas e bomba burras junto com F-15E e A-6.
Os A-6 e F/A-18 operando nos NAes no Mar Vermelho disparam as Paveway no centro do Iraque, mas também sem capacidade de penetração contra alvos duros. O resto da força embarcada não tinha Paveway para atacar no centro e norte do Iraque. Os NAes no Golfo Pérsico atacaram mais o KTO.
Os Bucanner da RAF apoiaram os ataques dos Tornados no centro do Iraque e KTO. Os Tornados depois receberam os casulos TIALD. Os Tornado GR1 iniciaram o disparo das Paveway na terceira semana. Nas duas últimas só dispararam bombas Paveway. Como pesavam apenas 454 kg não tinham a capacidade de penetração das versões americanas contra bunkers iraquianos.
Enquanto os alvos estratégicos como os Centros de Comando de Setor (SOC) eram atacados por uma ou duas bombas Paveway, os Postos de Comando de brigada seriam alvos de B-52 ou caças F-16 e F/A-18. Geralmente os alvos divisionais eram atacados por esquadrilhas visitando o local sequencialmente em intervalo de horas.
Os B-52 atacaram o KTO com 2/3 do total de bombas disparadas na guerra, principalmente no KTO. Era a principal arma contra alvos de área como abertura de brechas nos campos minados a frente das tropas, estoques de munição, concentração de tropas e postos de comando no campo. Os B-52 baseados no Reino Unido atacaram o norte do Iraque.
Um estudo da USAF após a guerra mostrou que as aeronaves de longo alcance armadas com armas guiadas eram mais efetivas como o F-111F, F-117 e F-15E ao contrario das aeronaves de curto alcance e sem armas guiadas como o F-16. O estudo sugeriu equipar todas as aeronaves com armas guiadas e até o B-52.

Após o conflito do Vietnã as operações de Cobertura Aérea (CAS – Close Air Support) da USAF foram reprimidas por falta de interesse e investimento. A invasão de Granada e Panamá foram apoiados por aeronaves AC-130, helicópteros de ataque do US Army e jatos A-7 da US Navy. No fim da década de 80 foi até pensado transferir os OA-10 para o US Army para atuarem como FAC(A).
Eram os oficiais em terra que queriam uma aeronave projetada especialmente para CAS. As aeronaves de alto desempenho aumentaram a distância entre o desejado e o real. Alta velocidade atrapalhava a identificação de alvos, aumentava o consumo diminuindo o tempo na área do alvo, resultando em muito período sem CAS. Também citam que uma aeronave lenta é mais barata e mais simples.
A USAF estudou a substituição dos A-10 pelos F-16. O F-16 foi testado em missões de CAS em 1989, mas sem contato com tropas amigas não mostrou capacidade real e sim a capacidade de atingir alvos. Serve certamente para missões de AI.
O KTO foi atacado por todo tipo de aeronave. O KTO foi dividido em aeronaves usadas mais ao norte e sul do KTO. A Guarda Republicana atuava mais ao norte. Os F-16, F/A-18, F-15E, F-111F e A-6E atuavam a noite, voavam contra alvos mais distantes e melhor equipados como a Guarda Republicana, enquanto os AV-8B, A-10, F-5E, Jaguar e A-4K, voavam contra tropas entrincheiradas na fronteira. Os AH-1 e AH-64 do USMC e US Army atuaram mais durante a ofensiva terrestre nos quatro últimos dias.

Os A-10 sofreram 20 baixas em 8.640 saídas ou uma razão de baixa de 0,23%. Foi quatro vezes maior que o F-16 que teve sete baixas em 11.698 saídas com uma razão de baixa de 0,06%. Os F-15E perderam duas aeronaves em 2.124 saídas com uma razão de baixas de 0,09%. O F-111F não teve baixas. De 16 A-10 aeronaves danificadas três não retornaram a ação. De seis F-16 danificados três não retornaram a ação.

O A-10 foi a primeira aeronave da USAF criada especificamente para as missões de CAS. A USAF deslocou 132 A-10 e 12 OA-10 para as bases avançadas de King Fahd e King Kahlid. Eram seis esquadrões ao todo. Um deles estava equipado com o AGM-65D Maverick com sensor de imagem infravermelha o que dava capacidade noturna com as imagens mostradas na cabine sendo usada como FLIR de pobre para navegar a noite. Os esquadrões formaram o 354th Tactical Fighter Wing (Provisória).
O A-10 era lento e a grande autonomia no campo de batalha o deixava vulnerável. Um total de 15 A-10 foram danificados e 10 retornaram a ação. Seis foram perdidos sendo quatro A-10 e dois OA-10. Outros 25 tiveram danos leves e foram reparados entre as saídas. Quando entravam mais dentro Iraque sofriam mais perdas. As perdas eram aceitáveis comparadas com as do Vietnã. As perdas estavam mais relacionadas com os voos a 4-7 mil pés para poder usar melhor os binóculos na busca dos alvos. O sucesso aumentou, mas também com mais exposição.
No ataque a Divisão Medida no dia 15 de fevereiro foram lançados oito MANPADS derrubando dois A-10 e com danos pesados em um A-10. Antes não abriam fogo contra as aeronaves. Nas duas semanas anteriores foram três danificados e nas duas subsequentes seis mais danificados e um derrubado. Depois desse ataque os A-10 não mais foram mais ao norte ficando restritos a até 35 km da fronteira do Kuwait e passaram a voar mais alto. Os ataques dos F-111F nas missões de tank plinking compensariam a perda da capacidade A-10 com os Maverick.
No dia 27 de janeiro uma força de 48 caças A-10, divididos em forças de oito aeronaves, ao invés de duplas, atacaram a Divisão blindada Tawakalna da Guarda Republicana. O ataque durou três dias. A reação dos iraquianos foi cavar mais fundo e criar mais alvos falsos.
Os A-10 voaram um total de 8.084 saídas contra 6.834 alvos com uma média de 2,37 horas no ar por saída. Nos primeiros dias do conflito fizeram 175 saídas contra sites de guerra eletrônica e sites de radares GCI na fronteira da Arábia Saudita. No primeiro dia da campanha aérea a maioria dos A-10 ficaram em alerta em terra para conter uma provável incursão iraquiana por terra. Inicialmente foram usados para Interdição contra a área de retaguarda inimiga. Apenas 1.041 saídas foram de CAS. Foi usada pouco para CAS, mas mostrou mais flexível e sobreviveu melhor que o esperado. A maioria das missões acabou sendo de Interdição Aérea.
Foram realizadas também 49 strikes contra sites fixos de defesa aérea junto com os F-4G; 3.367 strikes dia e noite contra alvos no KTO; 135 saídas Scud-CAP e reconhecimento armado anti-Scud. Também fizeram alerta CSAR desde o inicio do conflito, escoltaram aeronaves de operações especiais e ajudaram no resgate de um piloto de F-14 incluindo a destruição de um caminhão de interceptação de rádio procurando o piloto.
Os A-10 geralmente operavam aos pares e não em esquadrilha. Em área de alta ameaça atuavam em uma ou duas esquadrilhas, acompanhados dos EF-111 e F-4G. Voavam entre 15 a 20 mil pés em formação em linha, wedge ou trilha. Alguns disparam a carga primeiro para aumentar a manobrabilidade e depois disparar o canhão enquanto o ala voa mais alto cobrindo a aeronave que ataca. Depois invertem o papel. Era fácil adquirir alvos no deserto, mas a identificação era difícil como distinguir um caminhão de um carro de combate, e carro de combate de artilharia autopropulsada. O piloto tinham que descer a 5 a 8 mil pés. As fotos ajudavam a identificar os alvos.
O A-10 foi creditado com a destruição de 987 carros de combate, 926 peças de artilharia e 1.355 veículos de combate, além de outros alvos. Os A-10 dispararam 4.801 mísseis Maverick ou 90% dos disparados pela USAF, além de 17 mil bombas Mk82 e 2.600 Mk84, mais 2.600 CBU-58.
No KTO os A-10 atacavam blindados, artilharia, caminhões e outros alvos. A carga de armas geralmente era de seis Mk82, um Maverick IR e outro TV, dois Sidewinder e 1.200 tiros de 30mm. Os mísseis Maverick eram disparados em um mergulho de 30 graus iniciando a 10 a 15 mil pés. Era disparado a 2-3 milhas do alvo. 30% eram do modelo AGM-65D com o disparo iniciado a 15-20 mil pés a 20-30 graus com disparo a 4-5 milhas. O canhão era disparado entre 45-60 graus iniciando a 10 mil pés. Os pilotos disparam 150-200 tiros em uma ou duas rajadas curtas. A Mk20 Rockeye era difícil de atingir o alvo quando disparada a média altitude. Então disparavam toda a carga de bombas em uma única passava e angulo bem agudo. Com mau tempo tinha que disparar em um angulo menos agudo. Contra a artilharia preferiam as Mk82 com espoleta airbusts. As bombas em cacho e as Mk82 eram disparadas todas de uma vez a 45-60 graus disparando a 10-12 mil pés. A Mk82 também era boa contra caminhões e veículos leves. As CBU também era boa contra alvos leves, veículos, pessoal em campo aberto e artilharia.
Outra arma do A-10 foi a grande autonomia. Os A-10 sobrevoando acima das posições iraquianas causavam grande ansiedade nas tropas que ficavam sem saber quem seria o próximo alvo. O A-10 foi tão bem na campanha que foi cancelada sua substituição pelo F-16 nas missões de CAS.

No dia 5 de fevereiro um A-10 atacou um Su-20 em um abrigo com o canhão e bombas CBU na base de Mudaysis. Na volta foram acionado pelos E-3 AWACS sobre um alvo baixo e lento a nordeste a 50 km de distância. Os A-10 foram na direção do contato e começaram a descer em um mergulho de 45 graus. Viram uma trilha de poeira e um objeto escuro se movendo no deserto. O contato foi logo identificado como sendo um Mi-8 HIP. Um A-10 iniciou o disparo do canhão a oito mil pés com 300 tiros. Ao sair do mergulho viu o helicóptero soltando fumaça. Voltou e disparou mais 200 tiros saindo mergulho a 4.500 pés. Na volta viu uma bola de fumaça saindo no chão.


Um A-10 reabastecendo em vôo antes de uma missão no KTO. A aeronave está armada com dois mísseis Maverick e quatro bombas em cacho. Para se defender leva dois mísseis Sidewinder e um casulo de guerra eletrônica.

Os F-16 realizavam a maioria das missões no Golfo por serem a frota mais numerosa na região. Eram 248 aeronaves deslocadas que realizaram cerca de 25% das saídas totais, ou 300-400 saídas por dia. No total foram 13.087 saídas com 11.698 alvos atacados com duração média das saídas de 3.24 horas. Três foram perdidos em combate e cinco em acidentes.
As saídas contra o KTO foram 8.258 saídas. Os ataques diurnos foram 2.912 saídas contra alvos QBR, pontes, depósitos de munições, centros de comunicações, sites de mísseis SAM, armazenamento de combustível, tropas e bases aéreas. As saídas de caça Scud foram 421 no total com os F-16 equipados com o LANTIRN/GPS e armados com bombas em cacho.
Os F-16 eram o segundo escalão para atacar alvos de reforço como pontes, casamatas, bases aéreas, fábricas, depósitos munição, centros de comunicações, etc. No KTO eram o primeiro escalão atacando alvos como artilharia, mísseis SAM, sites Scuds, etc.
A principal missão dos F-16 levados para a região era interdição do campo de batalha. Os F-16 iniciaram as operações no KTO fazendo reconhecimento armado nos Kill Box procuram alvos de oportunidade. Com dificuldade de contar alvos tiveram que usar alguns F-16 com o sistema Fast FAC. Foram apelidados de Killer Scout sendo desempenhado pelos F-16 equipados com GPS.
Antes de iniciarem a guerra a tática inicial seria ingresso baixo, com manobra pop-up para aquisição do alvo e ataque, seguido de retorno a baixa altitude. Nos treinos no deserto logo perceberam que o terreno plano não favorecia esta tática e os iraquianos estavam espalhados em todo o deserto e não conseguiriam surpresa. Seriam alvos fáceis para a artilharia antiaérea e mísseis SAM.
Os pilotos logo passaram a treinar ataque a média altitude anulando a maioria das ameaças que se concentrava a baixa altitude e com a escolta dos Wild Weasel diminuindo a ameaça a média altitude. Os treinos consistiam em pacotes de 16-20 F-16 com mergulho a 45 graus. Podiam usar a câmera de ataque com modo CCIP para treinar em alvos fora dos estandes de tiro. O modo CCIP pode ser ajustado, por exemplo, dispare longo, para ajustar se as bombas da primeira aeronave cair antes do alvo. Lançavam as bombas de 17 a 8 mil pés. O F-16 era considerado invisível visualmente acima de 15 mil pés.
Lançando as bombas a 17 mil pés, após iniciar o mergulho a 25 mil pés, levava 19 segundos para a bomba atingir o alvo. Os pilotos treinavam para duas esquadrilhas com quatro F-16 ficassem separados para atacar o mesmo ponto de impacto em menos de 20 segundos para o último ainda conseguir ver o alvos antes de ser atingido pelas primeiras bombas ou não conseguiria ver devido a fumaça e detrito das explosões. A tática também limitava a ação da artilharia antiaérea pois reagia depois das primeiras explosões. O líder atrasava a curva de egresso para se juntarem mais facilmente. Tinham que treinar muito para aperfeiçoar a técnica. Era a tática anti-pista de pouso sendo usada para cada ponto de corte na pista.
A tática de voar mais alto também aumentava a cobertura do seu radar, economiza combustível e voava mais rápido. Fizeram operações tipo "Red Flag" intensamente por sete meses no deserto e estavam muito bem treinados para a operação. Os Mirage F-1 franceses, do Kuwait e Qatar atuavam como força inimiga simulando caças semelhantes do Iraque.
Nenhum F-16 disparou bombas guiadas a laser durante o conflito apesar de ter sido sugerido o uso do F-111F com o Pave Tack para designar alvos para os F-16. Nas suas missões os F-16 disparavam cerca de seis bombas Mk-82 contra cada alvo (six bomb, one kill). A dispersão das bombas compensava a menor precisão e garantia que não precisariam voltar para atacar um alvo não atingido. Mesmo assim os F-16 tiveram pouco sucesso com bombas burras. Atacando a mais de 10 mil pés de altura o CEP era muito grande e mesmo assim se achasse algum alvo. Com o radar os F-16 podiam encontrar alvos móveis com modos GMTI. Não atacavam depois das 16 horas para deixar a poeira dos seus ataques baixar para os caças noturnos equipados com designadores a laser e bombas guiadas a laser atacarem sem interferência. As aeronaves mais caras fizeram a maior parte do serviço como o F-111F e F-117.
Uma tática era voar em trilha de dupla com o Ala atrás a uma distância de 5 milhas. O Líder a frente detecta os alvos e atacava e quando saia do mergulho o Ala já chega atacando. No inicio atacava e fugia, depois conseguiam realizar mais passadas com a diminuição da ameaça. Atacavam com bombas não guiadas mergulhando a 30-60 graus. Se virem SAM disparavam chaff, flare e manobravam. Evitavam desacelerar pois quanto mais lento mais fácil para os mísseis SAM conseguir uma boa solução de tiro. Os pilotos têm que evitar puxar muitos g´s rapidamente. Contra a artilharia antiaérea a tática era voar rápido e atacar de várias direções. Deviam puxar 4-5 g e sempre voar acima de 450kts. Sem alerta radar no RWR puxavam apenas 2 g's.
Os F-16 voavam com o canhão carregado, mas nunca metralhavam. Os F-16 de Nova York usavam o casulo com um canhão GAU-8, mas não era tão preciso quanto o canhão do A-10. Os F-16 Block 40 usava o Maverick guiado por infravermelho, mas foram poucos disparados.
Os pilotos de F-16 percebiam a falta de armas guiadas. Atacar com o Maverick era fácil, mas com bombas burras era pouca probabilidade de atingirem algum alvo a média altitude. A intolerância a perdas fez aceitarem o grande CEP do F-16 quando atacavam a média altitude. Se a tolerância fosse bem menor seriam bem mais efetivos.
Dois esquadrões estavam equipado com o casulo LANTIRN de navegação e operavam a noite. O uso do LANTIRN a noite permitiu a mesma precisão que de dia disparando a baixa altitude. As missões noturnas eram realizadas com duas aeronaves com o ala a 1-2 mil pés acima e 1-4 milhas atrás do líder. Não ligavam as luzes e navegavam com apoio do FLIR. disparavam bombas burras ou mísseis Maverick IIR. Os alvos dos ataques noturnos eram pontes, bunkers, blindados e artilharia. A carga típica era seis Mk82 ou duas Mk84, ou quatro CBU. Com o FLIR disparavam a 10-12 mil pés a 30 graus. De dia a altitude era maior e o angulo mais agudo. A noite era mais seguro pois a artilharia antiaérea tinha dificuldade de disparar.
Depois da fase de atrito os F-16 foram direcionados para operações de CAS e BAI. Decolavam 4-8 caças F-16 com duas Mk84 ou CBU. Faziam um REVO em uma das 5-6 estações próximas ao Kuwait sendo que sempre havia doze estações de REVO na fronteira. Depois passaram a ser apoiados por Fast FAC que podia ser um F-16 com casulo LANTIRN de navegação.
O primeiro ataque dos F-16 foi no dia 19 de janeiro em um pacote diurno contra Bagdá. Cerca de 60 caças F-16 com escolta de EF-111 e F-4G atacaram. O objetivo era manter a pressão de dia com os F-117 atacando a noite. Dois foram derrubados. Uma câmera de ataque gravou um F-16 evadindo 12 SAM. O piloto voava cada vez mais baixo e a artilharia antiaérea aparecia cada vez mais. Como boa parte dos pilotos teve que alijar suas bombas e tanques externos pararam com este tipo de missão para evitar danos colaterais em Bagdá.
Pelo menos uma vez por semana faziam pacotes de 30-40 F-16, além da escolta e do REVO. Alguns esquadrões só usavam bombas burras, sem LANTIRN e NVG para operar a noite ou Maverick.

Os 86 caças AV-8B Harrier do USMC que operaram na operação Desert Storm foram deslocados para a base Rei Abdul Aziz, nos navios Tarawa e Nasssau, e na FARP em Tanajib. Os Harrier embarcados reabasteciam e rearmavam em Tanajib a 5 minutos da fronteira com o Kuwait.
Os AV-8B realizaram 3.359 saídas com 2.585 strikes no KTO com o disparo de 7.175 bombas Rockeye, 288 Mk83, 4.167 Mk82 e 83 mil tiros de 25mm. Voaram a média altitude e as vezes desciam para identificar o alvo. O disparo era feito a média altitude em mergulho. As Mk83 com espoleta atraso eram usadas contra bunkers e alvos duros. O canhão era usado para supressão de defesas de ponto para outras aeronaves dispararem suas bombas. Os AV-8B metralharam alvos na batalha de Khafji. O armamento padrão era seis Mk82, ou quatro Mk83, ou seis Mk29 Rockeye quando operando em terra. Operando no mar levavam quatro Mk82, duas Mk83 ou quatro Mk20.

Foram deslocados 89 Hornet da US Navy e 72 do USMC que realizaram 4.449 saídas na US Navy e 4.936 no USMC com um total de 4.551 strikes combinados. Outros 26 CF-18 canadenses também operaram na operação Desert Storm.
A primeira missão foi varredura anti-radar a frente no pacote do dia 24 de janeiro contra os sites de mísseis SAM a oeste de Bagdá. No total foram 961 saídas de defesa aérea; 157 de supressão de defesas armados com dois mísseis HARM; 217 contra bases aéreas armados com cinco bombas Mk83 ou duas Mk84 com apoio do FLIR. Contra bases aéreas atacavam em um mergulho de 30 graus iniciando acima de 30 mil pés e disparando entre 20 a 10 mil pés, a 480 a 540kts contra um único ponto de pontaria.
Foram realizadas 2.129 missões de escolta, as vezes também equipados com mísseis HARM. Os F/A-18 derrubaram dois Mig-21 e tiveram que alijar a carga de bombas Mk84 antes de engajar. Três foram danificados por mísseis SAM e um pela artilharia antiaérea. Todos voltaram a voar em menos de 36 horas. Um Hornet da US Navy foi derrubado por um Mig-25.
O F/A-18 usava as mesmas táticas do AV-8B. O ingresso era a 30 mil pés e mergulhava a 10-20 graus até a aquisição do alvo. Depois mergulhava a 45 graus e recuperava a 14 mil pés, depois 12 mil e depois 10 mil com a diminuição da ameaça. Podendo disparar mais baixo facilitava corrigir pontaria. Os F/A-18 preferiam um misto de bombas Mk e Mk20. A carga normal era seis Mk82, quatro Mk83 ou quatro Mk20. O USMC disparou um total de 15.828 Rockeye. Os Hornet usaram poucos mísseis Maverick.
A-6E Intruder
Os A-6E Intruder voaram 5.619 saídas atacando 2.617 alvos. Foram 156 saídas contra locais de armazenamento de munição, sites de produção ou armazenamento de petróleo, sites C3 e estações de energia; 221 saídas foram de SEAD contra centros de comando e bases aéreas incluindo o disparou de mísseis HARM e despistadores TALD para confundir defesas; 1.610 saídas foram de interdição para atacar pontes, áreas de armazenamento de munição, pátios ferroviários e blindados.
Antes da guerra os pilotos treinavam para ataques a baixa altitude. Depois de encontrar artilharia antiaérea intensa passaram a atacar acima de 10 mil pés em mergulho leve. Iniciavam o ataque com o radar para detectar o alvo e passavam a pontaria para o FLIR. 1/3 dos disparos foi apenas com o uso do radar devido ao mau tempo, sem poder usar o FLIR.
Os A-6E do USMC voaram 850 saídas a noite. As armas eram 11 bombas Mk82 ou Mk20 Rockeye ou uma bomba guiada a laser como a GBU-16. Os A-6E atacavam alvos específicos nos Kill Box. Operavam sozinhos e usavam o radar para navegar e localizar alvos fixos ou móveis. O sensor FLIR facilitava o reconhecimento do alvo. A aquisição era feita a 25-30 mil pés.
Os A-6E também realizaram 183 saídas contra alvos navais e costeiros como portos, navios e baterias de mísseis Silkworm. Usaram bombas GBU-16 com foguetes e duas Rockeye nas saídas.

A USAF deslocou 68 B-52G ou mais de 50% da força de 118 B-52G para apoiar a Operação Desert Storm. Eram 3,5% dos 1.875 "shooters" usados na guerra. Foram usadas 155 tripulações realizando 1.741 saídas em 15.269 horas de vôo sem perdas.
Os B-52 estavam entre as primeiras aeronaves a chegar na região após a invasão do Kuwait. Foram deslocados para Diego Garcia. Foram preparados para atacar alvos no Kuwait e parar uma possível invasão da Arábia Saudita. Após três semanas a missão foi passada para os A-10 e F-16 que chegaram depois.
No inicio da guerra aérea sete B-52 baseados nos EUA disparam mísseis cruise CALCM antes da “hora H”. Foram 35 mísseis disparados contra oito alvos (centros de comunicações e geração de eletricidade).
Foram realizadas 99 saídas contra bases aéreas armados com bombas Mk e CBU e 303 saídas contra alvos estratégicos. Fizeram supressão de defesas como parte da campanha de supressão de defesas contra sites de radares e mísseis SAM assim como Scud hunter. A maioria dos alvos eram estações ferroviárias, fabricas de munição, áreas de armazenamento, depósitos de combustível, indústrias e base aéreas eram atacados com bombas Mk117K, Mk82 e CBU-87 Gator. Os B-52 voavam em trio sempre apoiado com escolta de caças e F-4G para supressão de defesas e não atuavam em áreas de alta ameaça.
Cerca de 85% das missões foram contra forças em terra em missões de carpete de bombas sendo usadas mais as bombas em cacho. Foram 1.175 saídas contra alvos no KTO fazendo preparação do campo de batalha. Formações de três B-52 atacavam a Guarda Republicana e tropas no KTO a cada três horas. Cerca de 37% do esforço foi contra a Guarda Republicana atacando desde o primeiro dia. O efeito foi não só físico, mas também psicológico.
A resposta a rendição em massa pode ter sido os ataques frequentes e randômicos dos B-52. Entrevista com prisioneiros mostrou que os ataques randômicos impressionavam. Não sabiam quem atacava, mas impressionavam. Nem precisava atingir a área para ter efetivo. O medo de ser a próxima vítima era suficiente. Tropas vietcongues capturados no Vietnã citavam dados semelhantes do terror dos B-52.
Os B-52 foram usados no lançamento de panfletos avisando de bombardeiros e bombardeavam. Avisavam novamente e depois avisavam que seriam bombardeados e mandavam fugir para o sul. As tropas realmente fugiam. O dano psicológico foi maior que as bombas em si.
O A-10 não criava a mesma ansiedade devido a randomização, mas sim devido a precisão. Não sabiam quando e quem atacaria enquanto voava acima. Tudo que podia ser visto poderia ser atacado devido a precisão do canhão ou Maverick.
Os B-52 eram 3% da força total, mas dispararam 30% de todas as bombas em peso, cerca de 27 mil toneladas ou 72.289 bombas. Atacavam mais alvos de área com bombas Mk e CBU disparadas acima de 30 mil pés. Os B-52 dispararam 14 mil bombas Mk-117 sendo 11 mil contra tropas e 4.600 contra campos minados. Cerca de 70% dos ataques foram contra posições de tropas. Também dispararam mais 13 mil Mk-82 e quatro mil CBU-58. Os ataques eram contra alvos de área por não ter armas guiadas.
Inicialmente atacariam a baixa altitude e logo iniciou a discussão em relação a ataque alto ou baixo. Voar alto protegia contra a artilharia antiaérea, mas os pilotos treinavam vôo a baixa altitude em tempo de paz com disparo de armas de longo alcance para proteção contra mísseis SAM e caças e esta tática foi escolhida para ser usada inicialmente. Consideravam os caças iraquianos como a maior ameaça e por isso escolheram voar baixo. Treinaram contra caças amigos podendo "atirar" com o canhão e avisando os caças para fazer evasivas. Os ataques seriam a noite e com escolta de caças, supressão de defesa e EF-111. Atacariam a média altitude depois da supressão de defesas amaciarem os mísseis SAM.
Era esperado 30% de perdas na primeira noite. As tripulação receberam proteção como colete balístico de kevlar contra a artilharia antiaérea. Nas primeiras três noites foram 36 missões a baixa altitude com uso de NVG. Todos atingiram os alvos e retornaram. O disparo de bombas em cacho a noite assustou devido a luzes das explosões pois não estavam preparados. O lançamento das bombas era violento para quem nunca teve a experiência e até pensavam que estavam sendo atingidos.
Os Tornados, A-6E, F-111F e B-52G que atacaram a baixa altitude estavam muito vulneráveis a artilharia antiaérea e SAM e logo subiram para atacar a média após os alvos da campanha a baixa altitude serem destruídos e não pelo medo de grandes perdas. Os B-52 só realizaram 36 saídas a baixa altitude. Depois a altitude mínima era de 12 mil pés para os caças e os B-52 atacavam acima de 30 mil pés. A precisão piorou com CEP de 600-700 pés após voarem a média altitude. Os alvos eram bem grandes e o CEP não era importante.
O B-52 não era preciso a média altitude e nem para sobreviver as defesa da Guerra Fria. Os pilotos também não tinham experiência para operar com apoio externo de caças, AWACS, JSTARS etc. Outra falha era a falta de preparo para atacar em formação e não reagiam bem a mudança de alvo. Outra crítica é ter sido usado pelos planejadores como outra aeronave de ataque visto que eram ex pilotos de caça. Era bom contra grandes alvos fixos e concentrações de tropas para efeito psicológico. Os alvos tiveram que ser atacados novamente pois calculavam incorretamente o número de aeronaves necessárias.
O CEP era considerado ruim a grande altitude. Foi considerado como tendo sucesso em 25 alvos e sem sucesso em 35 alvos sendo o pior desempenho entre as aeronaves da USAF, mas foi considerado eficiente em incentivar as tropas a se render em massa. Contra alvos de área não era problema, mas para abrir brechas em campos minados era ineficaz. Os Iraquianos criaram uma linha fortificada na fronteira com a Arábia Saudita. Plantaram 2,5 milhões minas no local e cavaram abrigos e trincheiras bem camufladas. Antes da invasão foram usados para abrir brechas nos locais de assalto usando bombas Mk83 com espoleta de retardo.
Um B-52 foi danificado por míssil desconhecido, outro perdeu dois motores por um quase acerto de SA-3, e outro danificado por um SA-6 sofrendo mais de 100 furos e perdendo muito combustível. Um foi atingido na torreta de cauda pela artilharia antiaérea ou míssil. Existe a teoria que o radar foi acionado na mesma hora que um F-4G disparou um HARM contra um alvo próximo do B-52 e desviou para a torreta. O B-52 estava virando e os danos parecem ter vindo de cima. Com cinco aeronaves danificadas em 1.706 saídas foi uma razão de 0,29% sendo melhor só que os danos dos A-6E e Tornados. Um foi perdido por falha elétrica.
Os B-52 gastaram 3,5% das saídas de REVO. Ficavam longe dos alvos e a carga de bombas disparada por dia poderia ter sido bem maior se estivessem baseados próximos, mas a limitação seria a logística.

Os B-52 estavam baseados na Arábia Saudita (Jeddah), Diego Garcia e Espanha (Moron) se concentraram no KTO e as vezes no centro Iraque. A USAF queria mais B-52 na região. Guam estava muito longe e a Arábia Saudita já estava cheia. Cairo no Egito acabou proibindo e teve que ir para Europa onde usaram a base de Fairford no Reino Unido que atacaram alvos no norte do Iraque. O turnaround era de 90 minutos no Reino Unido e era o mais rápido. Os B-52 baseados em Jeddah voaram metade das missões e dispararam metade das bombas em 841 saídas.

Uma Ala com dois esquadrões de F-15E foram deslocados para a Al-Kharj. Os F-15E realizaram 2.172 saídas contra 2124 alvos no Iraque e KTO. A duração média das saídas foi de 3,27 horas. Os F-15E tinham capacidade todo tempo ataque e quase todas as saídas foram voadas a noite.
Os F-15E realizaram 595 strike contra bases aéreas, centros QBR, pontes, centros de comunicações e depósitos de comunicações. As caçadas Scud foram 391 saídas apoiados pelos AWACS e FLIR para encontrar os Scud nos Kill Box. No dia 27 de janeiro foi declarado supremacia aérea e os dois esquadrões de F-15E foram divididos com um para caçar Scud e outro para tank plinking no KTO.
Um terço das saídas foi de tank plinking ou 949 saídas. Os ataques eram feitos a 12-14 mil pés, mas variava conforme as condições meteorológicas. Nas saídas de tank plinking levavam geralmente oito GBU-12. Os F-15E sem LANTIRN de designação de alvos levavam 12 bombas Mk82 ou seis CBU-87/89, ou quatro Mk84, ou quatro GBU-10. O LANTIRN era usado para localizar alvos, designar para atacar com as Paveway e gravada as imagens dos vídeos para BDA.

Os F-111F realizaram 2.881 saídas sem baixas contra 3.225 alvos atingidos. Os F-111F dispararam 46% das bombas guiadas durante a campanha estratégica. A carga normal era dois Sidewinder mais oito Mk82, ou duas Mk84, 2-4 GBU-12, 2-4 GBU-10, 2-4 GBU-24, oito CBU-87, oito CBU-89, 8-12 CBU-52, CBU58 ou Rockeye, ou uma ou duas GBU-15.
O F-111F fez preparação do campo de batalha ou tank plinking em 1.804 strikes com as GBU-12. Nas saídas tank plinking eram armados com quatro GBU-12. Outros 912 strikes foram contra bases aéreas, aeronaves no solo, instalações, abrigos HAS, centros de comando, bunkers, QBR, pontes e defesa aérea. A duração média das saídas foi de 3 horas. Os F-111F apoiaram as saídas contra os Scud realizando 69 ataques apoiando com as Paveway e CBU-89 Gator em canais suspeitos de esconder lançadores móveis.
Todos os F-111F estavam equipados com o casulo FLIR Pave Tack. Os F-111E com aviônicos analógico eram bem menos preciso e só levavam armas convencionais. Os F-111E operando na Turquia permitiu que os outros caças se concentrarem no sul do Iraque. O longo alcance do F-111F dava flexibilidade. As aeronaves baseadas em Taif podiam atingir o KTO sem precisar de REVO e atacar alvos mais ao norte sem expor as aeronaves de REVO as defesas.
Nos três primeiros dias os F-111 atacaram a baixa altitude e dispararam bombas guiadas a laser contra bases aéreas. Após três dias passaram para média altitude em grandes pacotes, em várias direções, com HSO diferentes para evitar colisão. Nos pacotes contra alvos de ponto e área alvos atacavam com até 32 aeronaves. As vezes voava sem escolta de supressão de defesa.

Dois esquadrões com 24 caças A-7 Corsair operaram a partir do USS Kennedy no Mar Vermelho realizando 737 saídas de Interdição aérea. A França enviou 24 Jaguar e a RAF 12 que voaram 1.145 saídas no KTO e contra navios. Os Jaguar da RAF dispararam 741 bombas de 454 kg, 387 CBU-87, 608 foguetes e oito BL-755. Os Mirage F1 foram operados pelo Kuwait e Qatar voaram 170 saídas e os da França realizaram 44 saídas de reconhecimento. Os AC-130A/H voaram 104 saías de CAS, apoio as forças especiais e "on-call AI". Também ajudou a caçar Scuds entre os dias 18 a 21 de janeiro.
O USMC enviou 29 helicópteros de ataque AH-1J/T/W Super Cobra para a Operação Desert Storm. Os Cobra escoltavam helicópteros, fizeram apoio aéreo aproximado, reconhecimento armado e ataque anti-carro. Voaram 1.273 saídas com 3.014 horas. Os Cobra atuaram em conjunto com as tropas em terra como os blindados LAV e as vezes com os AV-8B como elemento de manobra na TF Cunningham. No dia G+2 os AH-1 e UH-1N apoiaram a TF Ripper contra 3a Divisão Blindada iraquiana. O UH-1N com FLIR e designador laser liderou dois Cobras na fumaça e abaixo de linhas de força para atacar forças a frente dos fuzileiros. Designou os alvos para o disparo de mísseis Helffire. Em outra ocasião os Cobra aturavam com os blindados LAV para barrar um contra-ataque mecanizado de uma Brigada iraquiana contra o Posto de Comando da 1a Divisão de fuzileiros. O AH-1W disparou Hellfire designados pelos OH-58D.

Os helicópteros de ataque do US Army deslocados foram 145 AH-1 Cobra, 130 OH-58D Kiowa e 277 AH-64 Apache. Realizaram reconhecimento armado, anti-carro e escolta. UO S Army usou ataques em massa como elemento de manobra e conduziram missões de reconhecimento armado de grande escala junto com a força CAS da USAF como A-10, F-16, EF-111, Compass Call, Wild Weasel, e JSTARS. As missões longo alcance foram a até 100 milhas. Se precisarem de apoio de aeronaves táticas pedem na frequência do AWACS. Os helicópteros de ataque também cobriam os flancos e a frente de forças em terra avançando.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Sayeret Mat'kal, em português Unidade de Reconhecimento Geral, ( em hebraico סיירת מטכ"ל ). "Unidade secreta especializada".










Sayeret Mat'kal, em português Unidade de Reconhecimento Geral, ( em hebraico סיירת מטכ"ל ). Conhecida como a "Unidade", é a mais secreta e mais especializada das Forças Especiais das FDI - Forças de Defesa de Israel, além de ser considerada uma das melhores unidades do mundo, e uma das mais qualificada em antiterrorismo, equiparando-se, segundo alguns especialistas, ao famoso 22 SAS britânico.

A Sayeret Mat'kal foi criada por Abraham Arnan em 1957 como Unidade 269, por veteranos da Unidade 101 do Batalhão 890 da Brigada de Pára-quedistas Sayeret do Serviço de Inteligência Militar do Exército israelense (Aman). A unidade deveria ser capaz de penetrar em território inimigo para recolher inteligência altamente secreta. A Sayeret Mat'kal combinou a experiência operacional recolhida pela Unidade 101 e adotou os métodos e organização do SAS britânico. A unidade é conhecida simplesmente pelo apelido de "A unidade". O seu lema é o mesmo do 22 SAS: "Who Dares Wins". A Sayeret Mat'kal foi formada um ano depois que o primeiro esquadrão de helicópteros das FDI se tornou operacional em 1957. Com uma cooperação próxima entre as duas unidades, era possível aos homens da Sayeret Mat'kal se desdobrarem para locais mais distantes e profundos dentro do território inimigo.

Embora uma unidade altamente secreta a Sayeret Mat'kal teve forte influência nas técnicas e métodos das Forças de Defesa de Israel. Seus homens foram os colaboradores originais das técnicas de infiltração com helicópteros em Israel. Além disso, seu uso extenso das sub-metalhadoras UZI convenceu as indústrias militares israelenses a produzirem Uzis para a manutenção de um grande estoque. Com o passar do tempo a unidade se especializou além da coleta de inteligência, na luta antiterrorista, e no resgate de reféns. Os membros da nova unidade foram treinados para verem e pensarem como árabes. No início de sua formação e por toda a década de 1960 a unidade Sayeret Mat'kal era mais uma unidade de infantaria de elite. A sua jornada para se tornar uma referência em contraterrorismo seria longa e com duras experiências.

A primeira excursão de retaliação, no exterior, contra o terrorismo, foi realizada em 28 de dezembro de 1968, após o atentado no aeroporto de Atenas, dois dias antes. Comandos Sayeret – força especial subordinada ao chefe do Estado-Maior do Ministério da Defesa – foram enviados a Beirute, de onde haviam partido os terroristas. No Aeroporto Internacional de Beirute, um grupo, chegado de helicóptero, à noite, explodiu 13 aviões vazios da Middle East Arlines do Líbano e outras empresas árabes. O Ministro da Defesa de Israel era, então, o general Moshe Dayan. Essa operação ficou teve o nome de Operação Gift.

Em 1968, em cooperação com a Força Aérea de Israel, a unidade Sayeret Mat'kal participa da Operação Shock, que consistia da sabotagem de usinas e pontes no Nilo, Egito. No ano de 1969 durante a Guerra de Atrito homens da Sayeret Mat'kal realizam as Operações Orchard 22 e Orchard 37, que consistia de assaltos contra linhas de alta voltagem e uma antena de comunicações no Egito.

Assalto Ilha Verde - 1969 - Operação Bulmus 6

No dia 19 de julho de 1969, durante a Guerra de Atrito, e Egito enviou uma unidade de commandos através do Canal de Suez para atacar a posição defensiva israelense em Mezach. Sete israelenses foram mortos, cinco ficaram feridos e outros foram feitos prisioneiros e levados para o Egito. A maioria desses soldados eram reservistas, e o ataque gerou um grande desconforto e o moral baixo em Israel e as autoridades israelenses planejaram uma resposta afiada.

As Forças de Defesa de Israel deram ao Shayetet 13, commandos navais, a responsabilidade da retaliação. O alvo seria a Ilha Verde, ou chamada também de Al Jazeera Al Khadraa, que era uma fortificação de pedra e concreto, que os egípcios consideravam um símbolo do poder militar da nação. Sua guarnição era de setenta soldados de infantaria e doze commandos egípcios da As-Sa'iqa.

A Ilha Verde ficava na extremidade sul do Canal de Suez. A fortificação foi construída pelos britânicos durante a Segunda Guerra Mundial para proteger o Canal de ataque pelo ar e mar. Era grande e imponente e media mais de 450 pés de comprimento e 240 pés de largura, construído em cima de corais e feito de concreto reforçado. A posição fortificada já tinham chamado a atenção dos israelenses antes, pois a quatro meses atrás uma equipe especial de reconhecimento, formada por quatro homens, realizou um reconhecimento da Ilha Verde.

O comandante da operação Bulmus, Shmuel Almog, da Shayetet 13, calculou que seriam necessários 40 homens para o assalto. Mas como a sua unidade só poderia oferecer 30, devido aos altos padrões de treinamento exigidos por Almog, a Sayeret Mat'kal forneceu o restante. Os homens da Sayeret Mat'kal seriam comandados por Menachem Digli. Os comandos só tinham uma semana para planejar e executar o assalto.

A única forma segura de se aproximar da posição inimiga era subaquática, qualquer outra implicaria sérios riscos a força de ataque. A opção de destruir a posição inimiga com um ataque aéreo fora descartada pois se vivia um contexto de guerra de atrito e não de guerra aberta, e Israel não queria elevar o nível das hostilidades. Um ataque com artilharia também seria possível, pois a fortificação estava ao alcance das baterias israelense, mas não se queria apenas destruir a Ilha Verde, Israel queria provar que seus commandos também eram perigosos e podiam destruir posições inimigas mais fortificadas que a as da Linha Bar Lev e desmoralizar o inimigo. Os objetivos prioritários do assalto seriam a destruição dos canhões antiaéreos de 85mm (a guarnição também tinha canhões antiaéreos de 37mm), depois o edifício principal, o local onde funcionavam um radar e a ELINT.

Existiria duas ondas de assalto. A primeira onda com o pessoal da Shayetet 13 (20-30 commandos navais), iriam em botes Zodiac até um certo ponto e depois os commandos iriam submersos até a posição inimiga. A primeira onda consistia de quatro equipes de dois oficiais e três commandos cada um e partiria da vizinhança de Ras_Sudar no banco leste do golfo de Suez às 20:30. Cada homem carregaria 40kg de equipamentos e armas.

A segunda onda seria composta pelos homens da Sayeret Mat'kal, que não tinham treinamento em operações subaquáticas, equipe médica, equipe de extração e pessoal de comando e controle. A segunda onda só seria acionada quando a munição da primeira onda começasse a acabar. A primeira onde teria que fixar a sua posição na praia e abrir caminho através das defesas inimigas com 3 camadas de arame farpado. A segunda onda seguiria pelo caminho aberto entre o arame farpado.

Chegando a praia os commandos navais tinham que dedicar algum tempo para preparar as suas armas, munições, granadas e outros equipamentos que foram condicionados para a travessia subaquática. A maioria dos commandos navais usavam os AK-47, melhores do que a conhecidas Uzis, para ações debaixo d´água.

O recolhimento da inteligência foi bem preciso e constatou que os egípcios estavam bem alertas e com moral alto. As sentinelas estavam armadas com AK-47 e carregavam lanternas que vasculhavam a água em busca de mergulhadores. O treinamento foi intenso. Na noite anterior ao assalto, a força tarefa combinada treinou duro e revisou todos os passos da operação. Cada posição no mapa foi memorizada, o tempo cronometrado, e todas as armas foram mais uma vez checadas.

Os commandos da Shayetet 13 deixaram a sua base localizada no banco leste do Canal de Suez às 19:45 de 19 de julho de 1968. Cada commando além de sua arma pessoal, levava munição de reserva, kit de primeiros-socorros, cantil, uma lanterna elétrica e equipamento de mergulho. As 20:30 a força alternativa do Sayeret Mat'kal juntou-se a força principal, em 12 botes Zodiacs. Por volta das 22:30 os israelenses estavam a uma milha da posição fortificada do inimigo.

Quando era 1:30 da madrugada os commandos navais não tinham alcançado ainda seu alvo. Eles nadavam, e não mergulhavam, com dificuldades devido a forte correnteza, mas mantiveram o elemento de surpresa. A 15 metros da fortificação o líder dos commandos da Shayetet 13 observou dois sentinelas armados. Ele ordenou que seu pessoal mergulha-se e removessem o seu equipamentos de mergulho.

Oito minutos mais tarde, com seu equipamento protegido, vinte figuras emergiram da água e apontaram seus AK-47 e Uzis contra as sentinelas. Quando alguns dos commandos navais da primeira equipe começaram a cortar através do arame farpado, para permitir que a segunda equipe avançasse para atacar a posição, uma sentinela egípcia começou a andar para eles. Um commando naval caiu, o que alertou um outro soldado egípcio, que arremessasse um granada contra o local. Três israelenses foram feridos e a batalha engolfou toda a fortificação. Como os egípcios saindo de seus alojamentos, os commandos israelenses começaram um combate aproximado, lançando granadas de fumaça nos ninhos de metralhadoras do inimigo para obstruir temporariamente sua visão. Muitas das armas e munição dos commandos estavam inoperantes, devido estarem muito tempo debaixo da água e porque a profundidade do mergulho foi maior do que o planejado. Até um rádio de um dos líderes estava fora de operação. O ataque dos commandos navais foi apoiada por um destacamento do Shayetet 13 que estava na posição sul da fortificação e estava dotada de uma bazooka e de uma metralhadora leve, esse equipamento foi trazido por um Swimmer Delivery Vehicles (SDV).

Esperava-se que os homens do Sayeret Mat'kal desembarcasse assim que começassem os combates, mas isso não aconteceu e o pessoal do Shayetet 13 avançou assim mesmo. Alguns deles escalaram paredes e de uma posição mais alta disparavam contra o inimigo e atiravam granadas.

Muitos commandos israelenses foram feridos durante o seu avanço. Como não sabiam se a segunda onda ia chegar a tempo ou não, os commandos atacaram também os bunkers inimigos “reservados para o Sayeret.” Os egípcios defenderam suas posições com tenacidade, depois que a surpresa do ataque se fora. Vários israelenses foram mortos no assalto. Como os egípcios endureceram a resistência se recusavam a abandonar as suas posições todas os bunkers tiveram que ser silenciados.

Apenas 17 minutos depois de iniciado os combates, 20 homens da Shayetet 13 tinham atacado toda a fortificação. Neste momento chegou então a força da unidade Sayeret Mat'kal. Aproximadamente a metade dos commandos navais já estava ferida - incluindo o primeiro tenente Ami Ayalon, que no futuro chegou a ser o chefe da comunidade de inteligência de Israel. Ela ganhou uma medalha por ato de bravura.

As forças israelenses continuaram a atacar a fortificação inimiga. Controlaram a seção superior da Ilha Verde, mas para realizar a sua destruição precisavam limpara toda a resistência do pátio logo abaixo deles. Tiveram que realizar combate extremamente aproximado, pois toda a fortificação não era maior do que um campo de futebol. O sistema adotado era simples e eficaz. Os Commandos em linha encostados nas paredes lançavam então um granada de fragmentação no interior da posição inimiga. Os inimigos que não fossem mortos pela explosão da granada eram eliminados pelas armas automáticas dos commandos quando estes entrassem no recinto.

Operador do Shayetet 13, armado com sua "arma padrão", um AK-47 de fabricação russa.

Muitos dos commandos israelenses foram feridos por fogo amigo, alguns até mortos. Os barcos Zodiac estavam enchendo-se com os homens feridos. Os soldados na frente de batalha continuaram a tentar dominar a posição inimiga, até que um desenvolvimento inesperado ocorreu. Os comandantes egípcios, considerando que a Ilha Verde estava sob o ataque de commandos israelenses e que provavelmente estes já a tinham conquistado, ordenaram que dúzias de baterias egípcias de 130 mm, localizadas no Banco Ocidental do Canal de Suez, disparassem contra a fortificação. Quando as granadas da artilharia começaram a cair, primeiramente no mar, aumentando a sua precisão, os commandos israelenses entenderam que era hora de se retirar do local.

As 2:25 da manhã de 20 de julho, Shmuel Almog e Menachem Digli requisitaram a evacuação de suas forças. As unidades israelenses tinham ocupado 2/3 da fortificação. Eliminaram as forças egípcias restantes e as aquelas que tentavam escapar, e quando as unidades egípcias do banco ocidental se retiravam, três oficiais israelenses preparam uma carga explosiva causassem uma grande destruição a fortificação. As unidades da Shayetet 13 e Sayeret Mat'kal iniciaram a evacuação às 02:55. Havia seis mortos (três da Sayeret Mat'kal e três da Shayetet 13) e quatorze feridos. A retirada se mostrou difícil com os os egípcios atirando contra eles. Um barco Zodiac foi perdido, vítima de fogo inimigo. As 03:10 os commandos israelenses ainda cruzavam o canal quando as suas cargas explosivas foram detonadas na Ilha Verde. A artilharia egípcia atacou furiosamente os botes e as praias do outro lado do Canal onde eles podiam desembarcar. Um outro barco foi atingido, mas a sua equipe foi resgatada por helicóptero por volta das 05:00, após nada várias horas nas águas do Canal.

A operação contra a Ilha Verde foi classificada como altamente secreta por cerca de 20 anos. Os comandos israelenses eliminaram 80 soldados egípcios, quase toda a guarnição inimiga. Esse assalto colocou todas as fortificações do Egito em alerta total e alta tensão, pois os egípcios acreditavam que qualquer alvo podia ser atacado pelos commandos israelenses, desde posições de radar até quarteis-generais no Cairo. As guarnições foram reforçadas, e os nervos ficaram a flor da pelo, com os sentinelas egípcios atirando em sombras, por muito tempo, temendo que a sua posição se tornasse a próxima Ilha Verde. Depois da invasão a Força Aérea de Israel explorou o furo na defesa aérea do Egito e realizou cerca de 300 combates aéreos contra aviões egípcios, além de vários bombardeios. O Commando naval conduziu outras 80 invasões ao longo do canal de Suez até o cessar fogo de 1970, terminou a Guerra de Atrito.

A Guerra de Atrito se enfureceu ao longo do Canal de Suez, com o Egito tentando recapturar a Península do Sinai que Israel tinha conquistado durante a Guerra dos Seis Dias. O Egito tinha recebido uma quantia considerável de equipamento militar, inclusive tanques, sistemas de radar e armas, da União Soviética. Durante a última guerra em 1967, Israel tinha capturado algumas destas remessas de equipamento militar que tinham permitido a esta nação ganhar muita inteligência sobre as fraquezas da defesa aérea egípcia e desenvolver métodos de guerra eletrônica. Como sistemas mais novos estavam chegando no Egito, Israel começou a montar um esforço secreto para aprender a lidar com estes novos equipamentos. O conhecimento da capacidade inimiga e de como lidar com ela era de suma importância para a Força Aérea de Israel. Missões de reconhecimento mostraram que um sistema de radar P-12 tinha sido colocado na praia de Ras-Arab. Um ataque aéreo israelense contra este radar foi ordenado, mas quando os aviões estavam prontos para decolar , veio uma ordem cancelando o ataque, pois os israelenses decidiram capturar o radar.

Os planejamentos para a Operação Rooster 53 começaram no dia 24 de dezembro de 1969. Com o sinal verde da cadeia de comandando das Forças de Defesa de Israel, as forças especiais israelense e a Força Aérea de Israel começaram a treinar para a operação, usando sistemas de radar que tinham sido capturados durante a Guerra dos Seis Dias. Com decisão de capturar o radar russo e levá-lo para Israel, os novos helicópteros Ch-53 Sikorsky Yasur foram escolhidos para transportar o radar para o território israelense.

A missão foi lançada às 21:00 do dia 25 de dezembro de 1969. Aviões A-4 Skyhawks e F-4 Phantoms começaram a atacar as forças egípcias ao longo do banco ocidental do canal de Suez e do Mar Vermelho. Encobertos pelo barulho dos jatos atacando, três helicópteros Aérospatiale Frelons Super, levando comandos do Sayeret Mat'kal, pousaram perto do seu objetivo. Fazendo a aproximação cuidadosamente para não serem detectadas, as tropas pegaram de surpresa o leve contingente de segurança da instalação de radar e depressa tomaram o controle do local. Antes das 2 da manhã, no dia 27 de dezembro, quando os comandos israelenses já tinham desmontado a estação de radar e a separado em várias partes, os dois helicópteros CH-53 foram chamados para cruzar o Mar Vermelho. Um CH-53 levou a caravana de comunicações e a antena do radar, enquanto o outro levou quatro toneladas de equipamentos do radar. Os dois helicópteros atravessaram o Mar Vermelho para o território controlado por Israel.

As quatro toneladas transportadas pelo CH-53 era realmente mais pesada do que o helicóptero foi projetado para levar e logo se arriscou a conclusão segura da operação. Os cabos que conectavam o radar ao helicóptero estavam presos por baixo da aeronave e causou um rompimento do óleo hidráulico. Enfrentado a questão de liberar a carga ou perder o controle da aeronave e cair, o capitão do helicóptero conseguiu cruzar a linha de água com Israel. Com o que resto de seu último de seu óleo hidráulico, o piloto pousou o helicóptero no deserto, em território dominado pelos israelenses. O segundo CH-53 que já tinha chegado com sua carga mais leve, foi mandado de volta para resgatar a carga do radar do local de aterrissagem do primeiro helicóptero. Uma vez mais a carga pesada quase causou a queda do helicóptero mas o radar foi entregue finalmente ao ponto designado, nas mãos dos especialistas de inteligência.

Embora uma tentativa foi feita para esconder a missão e seu sucesso, a operação foi tornada público uma semana depois pela imprensa estrangeira. O próprio radar foi estudado completamente e a IAF passou a contar com novas contramedidas conta as defesas egípcias, removendo uma ameaça a superioridade de ar israelita sobre o Canal de Suez. O radar foi entregue depois para os EUA., igual a outro equipamento capturado antes.

Em cooperação com a Shayetet 13, commandos navais, em 22 de janeiro de 1970, a unidade Sayeret Mat'kal realiza a Operação Rhodes, um assalto contra fortificações na Ilha Shadwan, golfo de Suez. Helicópteros Aerospatiale SA 321K Super Frelon (Tzir'a), foram usados para desembarcar commandos israelenses na ilha. A operação resultou em uma perda de 19 vidas egípcias e 62 prisioneiros do Egito. Israel perdeu 3 soldados e teve seis feridos.

No dia 8 de maio de 1972 um avião Boeing 707 das linhas aéreas belgas, a Sabena, que voava de Viena para Tel-Aviv, foi seqüestrado por quatro terroristas do Setembro Negro. O vôo 571 de Bruxelas para Tel-Aviv, pouso como previsto no aeroporto de Lod, em Israel. Os terroristas mantiveram 100 passageiros e os tripulantes como reféns, e exigiram a liberdade de 317 guerrilheiros palestinos presos em Israel ou explodiriam o avião com todos dentro.
Homens da Sayeret Mat'kal iniciam a Operação Isótopo

Às 04:22 horas do dia seguinte, 9 de maio, um comando Sayeret Mat'kal, com 16 homens disfarçado com os macacões brancos do pessoal de manutenção da aeroporto, executou a Operação Isótopo, invadiu o Boeing e matou dois dos quatro terroristas, prendendo os outros dois (duas mulheres) em 10 minutos. Essas duas mulheres foram libertas numa troca futura de prisioneiros durante a guerra no Líbano.

Uma passageira israelense morreu e os outros reféns foram libertados, porém três ficaram feridos. A operação foi comandada por Ehud Barak, legendário membro da unidade, que viria a se torna primeiro-ministro de Israel no futuro. Outro comando era Benjamin Netanyahu, que também se tornaria primeiro-ministro de Israel. Netanyahu foi ferido acidentalmente por fogo amigo, mas ficou bem. Esta foi a primeira missão de resgate de uma aeronave oficialmente reconhecida. As técnicas de invasão de aeronaves desenvolvidas pela unidade e pela Yamam, nas décadas de 1970 e 1980 ainda são usadas em todo o globo.

O avião seqüestrado continuou a servir a Sabena por cinco anos, até ser comprado pela industria aérea de Israel e depois vendido para a Força Aérea de Israel, onde serviu como avião espião por muitos anos e participou da maioria das operações de longo alcance da força aérea.
Ehud Barak (3ª a partir da esquerda) liderou a Operação Isótopo.

Em junho de 1972, a unidade Sayeret Mat'kal realizou a Operação Crate 3. Três aviadores da Força Aérea de Israel tinham sido capturados por autoridades sírias e Israel não estava em posição de negociar sua libertação, pois não tinha nenhum trunfo para isto. Dai veio a ordem para que operadores da Sayeret Mat'kal capturarem cinco oficiais da inteligência síria que comandavam uma incursão de palestinos contra a fronteira de Israel. A operação foi um sucesso e se tornou uma marca registrada desta unidade de elite. Essa operação foi comandada por Yonatan "Yoni" Netanyahu.

Durante a Guerra do Yom Kippur em 21/22 de outubro de 1973 os homens da unidade Sayeret Mat'kal, juntamente com a Brigada Golani, participam da recaptura do Monte Hermon, tomado no início do conflito por uma força mista formada por homens do 82º Batalhão de Pára-quedistas e do 1º Grupo de Commandos sírios. Quando tomaram o monte os sírios levaram sofisticados equipamentos japoneses de observação para a Síria e de lá para a União Soviética. A retomada do monte Hermon foi muito dura. Um assalto realizado duas semanas antes custou 25 mortos e 67 feridos. Os cerca de 50 sírios (pára-quedistas e forças especiais) que guardavam a posição ofereceram uma dura resistência. Neste último assalto os israelenses tiveram 55 mortos e 79 feridos. As tropas israelenses usaram uma escavadeira (bulldozer) D9 para abrir caminho para a infantaria. As 11:00h o monte foi conquistado. Uma brigada de infantaria pára-quedista israelense tomou o posto sírio correspondente na montanha. A unidade também foi usada para a realização de emboscadas de interdição profundas no interior do Egito e da Síria, durante essa guerra.

A unidade Sayeret Mat'kal ao lado de tropas pára-quedistas, participou da Operação Spring of Youth, que eliminou alguns dos principais líderes terroristas da infra-estrutura da OLP em Beirute, Líbano, em 1973. Essa operação estava ligada a ação de retaliação de Israel em respostar ao atentado terrorista de 1972 em Munique, Alemanha Ocidental, em que 11 atletas israelenses foram mortos por terroristas palestinos ligados ao Setembro Negro. Para caçar os terroristas Israel formou equipes especiais da Mossad encarregadas de eliminar terroristas ligados ao atentado de Munique, na Europa Ocidental. No Oriente Médio as operação de retaliação ficariam a cargo das Forças de Defesa de Israel e suas unidades especiais.

Nessa época, devido ao fraco governo libanês, a presença da OLP - Organização para a Libertação da Palestina, no sul do Líbano era muito forte, bem como na região Oeste de Beirute, que na época era a mais ocidental das cidades árabes, repleta de turistas, hotéis e restaurantes de nível internacional. Também possuía cassinos, bancos e butiques francesas e italianas. Não muito longe estavam também estações de esqui, muito apreciada por árabes ricos em busca de liberdade.

Operador da Sayeret Mat'kal no Líbano na década de 1970, armado com uma Uzi com silenciador.

Em fevereiro de 1973 a inteligência israelense localizou em Beirute o paradeiro de três importantes terroristas da OLP. Imediatamente os israelense começaram a trabalhar para montar uma operação que eliminasse esses terroristas. Com as devidas informações os israelenses descobriram quem eram os terroristas, onde eles vivam, e conseguiram inclusive a planta arquitetônica do prédio de apartamentos onde os três moravam. Eles viviam no segunda e terceiro andar do prédio.

O plano de eliminação desses três terroristas e de parte da infra-estrutura terrorista no Líbano envolveria o uso de agentes do Mossad, unidades da Marinha, inclusive do commando naval Shayetet 13, aeronaves da Força Aérea de Israel e commandos do Sayeret Mat'kal, que na época eram comandados por Ehud Barak.

Os homens do Sayeret Mat'kal chegaria a Beirute disfarçados de turistas, alguns deles iriam disfarçados de mulheres (Ehud Barak estava ente esses), para desviar a atenção de um grupo só de homens. Desembarcariam de quatro botes infláveis Zodiac. Seriam formadas três unidade para atacar cada um dos apartamentos, mais uma unidade de cobertura para defender a força de assalto contra forças da OLP e/ou da polícia libanesa. Ehud Barak comandaria a unidade de cobertura. Esta unidade manteria contato com o QG operacional, situado nos navios israelenses posicionados na costa libanesa e que transportariam os homens do Sayeret Mat'kal.

Do ponto de desembarca localizado aproximadamente 10km do objetivo, os commandos seriam transportados por agentes do Mossad em três carros. Os agentes conheciam bem a cidade. Os homens da Mat'kal estariam armados com Uzis, cargas explosivas, pistolas e granadas, escondidas debaixo da roupa de turista. Calculava-se que 20 minutos após os primeiros tiros reforços da OLP e policiais libaneses chegariam ao local do assalto. Neste momento os commandos israelenses já deveriam está em seus botes, indo em direção aos barcos que os levariam para Israel.

Além dos três apartamentos, uma unidade da brigada de pára-quedistas (commandos Sayeret Tzanhanim), comandada por Amnon Shahak, recebeu a missão de atacar instalações da Frente Popular para a Libertação da Palestina de George Habash. Outra unidade de pára-quedistas em cooperação com o commandos navais do Shayetet 13 atacariam instalações da OLP na área de Tiro-Sidon. Os homens do Sayeret Mat'kal treinaram em prédio de apartamentos no norte de Tal Aviv, bem parecidos em sua construção com os que seriam atacados no Líbano.

Na segunda-feira, dia 9 de abril, os commandos do Sayeret Mat'kal , saíram de Haifa a borde de barcos lança-mísseis que os levaram para a costa de Beirute. Lá embarcaram em botes Zodiac e foram em direção a terra firme. Quando chegaram a mais ou menos cem metros da terra, desligaram os seus motores e remaram o resto do caminho. Lá carros dirigidos por agentes do Mossad esperavam por eles. Evidentemente o Mossad já tinha os agentes plantados no Líbano a algum tempo. Quando entraram nos carros os commandos receberam um relatório em que foram informados de que três policial libaneses estavam patrulhando, inesperadamente, na frente a área dos apartamentos que eles iam atacar. Ehud Barak tomou uma decisão rápida para continuar com a operação apesar do obstáculo. Uma chamada para os seus superiores poderia ter conduzido facilmente ao cancelamento da operação inteira.

Quando os israelenses chegaram ao objetivo saíram dos carros e caminharam como um grupo de turistas onde havia casais de namorados. Eles passaram por policiais que nada suspeitaram. Ao chegar aos apartamentos não encontraram seguranças.

O grupo de Muki Betser entrou, subindo as escadas. Ao chegar na porta de um dos apartamentos os seus homens colocaram explosivos ali. Eles esperaram por um sinal das outras duas unidades de que estas também tinham colocados os seus explosivos e estavam prontas para agir. Com o sinal afirmativo as cargas foram acionadas. Quando aconteceram as detonações Ehud Barak informou ao nau-capitania que a operação começou, enquanto que as outras unidades das FDI recebiam sinal verde para iniciarem os seus ataques também.

Os commandos entraram nos apartamentos (a planta do local estava muito bem memorizada por eles) e eliminaram os seus alvos. Todo material de interesse da inteligência israelense foi capturado.

Enquanto isso começou um tiroteio lá em baixo na rua. Um Land Rover da policia libanesa apareceu e foi alvo dos disparos dos commandos israelenses. Atingindo por disparos das Uzis o veículo se chocou contra um edifício. Mas um segundo veículo, um jipe cheio de reforços apareceu, e também foi alvo dos israelenses e eliminado logo após. Os homens do Sayeret Mat'kal podiam ouvir ao longe as explosões causados pelos pára-quedistas de Amnon Shahak conta à sede de George Habash.

Os carros do Mossad vieram rápido, e pararam em frente ao edifício dos palestinos. Os commandos entraram apressadamente e foram em direção a costa. Só dois minutos tinham se passado desde que eles atacaram os seus objetivos no edifícios. Ehud Barak conferiu com os commandos das equipes do Sayeret Mat'kal. Ninguém tinha sido morto, mas um commando tinha estava ferido. No momento eles não tinham nenhuma notícia do que tinha acontecido com os pára-quedistas que atacaram o edifício de George Habash.

No caminho até a praia os carros se depararam com um blindado libanês que fazia uma patrulha na costa. Calmamente cruzaram o local e foram em frente. Os commandos chegaram na praia 10 minutos atrasados, a operação levou meia hora em vez dos 20 minutos planejados. Os commandos entraram em seus botes e foram até os navios que os levaram para Israel. Os agentes do Mossad voltaram para seu país por outros meios. Com a eliminação de três importantes líderes terroristas e a destruição de fábricas e depósitos de armas terroristas em Beirute, Tiro e Sidon, a Operação Fonte da Juventude foi uma das mais bem sucedidas das Forças de Defesa de Israel e suas forças especiais. As baixas israelenses foram
Alvos principais:

Al-Najjar de Muhammad Youssef (Abu Youssef) - Um veterano da OLP, líder da Fatah no Líbano, cabeça da organização de inteligência de Fatah, e oficial de operações do Setembro Negro. Era o terceiro na linha da liderança da Fatah. Sua esposa, ao tentar protegê-lo, foi morta também.

Kamal Adwan - Também um líder veterano da Fatah. era o responsável pelas atividades terroristas em Israel e o oficial de inteligência do Setembro Negro.

Kamal Nasser - Porta-voz da OLP e membro do seu comitê executivo.

Alvos secundários:

A equipe de ataque de 14 commandos de Amnon Shahak encontrou forte resistência em sua missão, perdendo dois soldados. Apesar desta resistência, a força pode atacar o edifício.
Outros alvos foram atacados, especialmente pelos commandos navais do Shayetet 13:

Um quartel-general da Fatah em Gaza e uma oficina de montargem de foguetes e minas perto do Aeroporto Internacional de Beirute.
Uma outra oficina de foguetes e minas na parte nordeste de Beirute.
Uma garagem de veículos da OLP no norte de Sidon.

Operação em Entebbe - “Operação Thunderbolt ”/“Operação Yonatan” - Kulam lishkvav! Todos no chão. Somos do exército israelense”. Com estas palavras, o soldado Amos Goren anunciava às 103 pessoas mantidas como reféns por um grupo de terroristas, no Aeroporto Internacional de Entebe, que a história de seu trágico seqüestro, iniciado no dia 27 de junho de 1976, poderia ter um final feliz.

Inicialmente denominada “Operação Thunderball”, tornou-se internacionalmente conhecida como “Operação Yonatan” e foi tema de inúmeros filmes e livros. O nome da missão foi modificado em homenagem ao comandante da força-tarefa, o tenente coronel Yonatan Netanyahu (irmão do ex-Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu), único militar israelense morto durante a ação. Essa foi a missão mais famosa da unidade Sayeret Mat'kal.

O drama dos reféns começou com o seqüestro do Airbus A 300 da Air France durante o vôo AF 139, Tel Aviv-Paris, com escala em Atenas, na Grécia, com 258 pessoas a bordo. Oito minutos após a decolagem, a aeronave foi dominada por quatro terroristas, dois dos quais possuíam passaportes de países árabes, um do Peru com o nome de A. Garcia e uma mulher do Equador de nome Ortega. Posteriormente, descobriu-se que os dois últimos eram membros da organização terrorista alemã Baader-Meinhof (Wilfried Bõse "Garcia" e Gabriele Krõcher-Tiedemann "Ortega" ). O avião foi desviado para Entebe após aterrissar em Bengazi, na Líbia, para reabastecimento e chegou a Uganda na madrugada do dia 28.

Os quatro terroristas haviam vindo do Kuwait pelo vôo 763 da Singapore Airlines e iam com destino a Bahrein. Entretanto, ao desembarcar em trânsito, os quatro dirigiram-se ao check-in do vôo AF 139 da Air France.

Pilotado pelo comandante Michel Bacos, o avião francês decolou do aeroporto Ben-Gurion às 8h59, chegando em Atenas às 11h30.

Desembarcaram 38 passageiros e embarcaram 58, entre os quais, os quatro seqüestradores. O total a bordo era então de 246 pessoas, mais a tripulação.

12h20, a aeronave já cruza os céus novamente rumo ao seu destino final: Paris. Oito minutos após a decolagem, enquanto as aeromoças preparam-se para servir o almoço, os terroristas assumem o controle do avião.

As autoridades aeroportuárias em Israel e a estação de controle da Air France percebem que perderam contato com o vôo AF 139, alguns minutos após a decolagem em Atenas. Os ministros de Transporte e da Defesa, que participam da reunião semanal do gabinete com o primeiro-ministro Yitzhak Rabin, são imediatamente informados. Apesar de não saber ainda o que acontecia a bordo, o setor de Operações das Forças de Defesa de Israel (FDI) prepara-se para um eventual pouso da aeronave em Lod.

14h00, o Airbus comunica-se com a torre de controle do aeroporto de Bengazi, Líbia, solicitando combustível suficiente para mais quatro horas de vôo, além de pedir que o representante local da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) seja encaminhado ao local. Descobriu-se então que a FPLP estava a frente do seqüestro.

14h59, o aparelho desce em Bengazi e apenas uma mulher é libertada. Ela consegue convencer os terroristas e um médico líbio que está grávida e sob risco de aborto. Na verdade, está indo para o enterro de sua mãe em Manchester, Inglaterra. Após algumas horas, parte para seu destino.

Em Israel, terminada a reunião, Rabin convoca ao seu gabinete alguns ministros – Peres, da Defesa; Yigal Allon, das Relações Exteriores; Gad Yaakobi, dos Transportes; e Zamir Zadok, da Justiça. Fosse qual fosse o desfecho da história, esses homens teriam que tomar decisões e estavam-se preparando para isso, pois já sabiam que dentre os passageiros havia 77 com passaporte israelense. Rígida censura é imposta aos meios de comunicação para que não divulguem listas de passageiros e para impedir a veiculação de informações que possam, de alguma maneira, ajudar os seqüestradores. Iniciam-se, também, contatos com os familiares dos viajantes.

Em Bengazi o avião permanece seis horas e meia, durante as quais é reabastecido - "por preocupação humanitária do governo líbio para com os passageiros", segundo o coronel Kadafi.

21h50, o Airbus parte de Bengazi, voando à noite em direção ao sul, sobre o Saara líbio e o Sudão, afastando-se cada vez mais do Oriente Médio.

03h15, horário local em Uganda, 28 de junho, o avião aterrissa no aeroporto de Entebe. Em Israel, as unidades da FDI, em alerta no aeroporto, recebem ordens para retornar às suas bases. O que aconteceria dali em diante não exigiria medidas especiais em território israelense.

Ao amanhecer, paira em Israel e no mundo um clima cheio de dúvidas. Uganda seria o destino final dos seqüestradores ou apenas uma escala para abastecimento? Como estaria reagindo o governo de Idi Amin Dada diante dos acontecimentos – seriam anfitriões hostis ou parceiros no seqüestro? Afinal, desde 1972, as relações entre Israel e Uganda não eram amigáveis, pois o governo israelense havia-se recusado a fornecer jatos Phantom ao país, sabendo que Uganda pretendia usá-los para bombardear o Quênia e a Tanzânia. Idi Amin havia, então, expulsado todos os israelenses do país.

Oficialmente, o ditador de Uganda adotou uma atitude neutra em relação aos seqüestradores, mas na realidade eles eram bem-vindos. Líderes palestinos encontravam-se no aeroporto para receber o avião, bem como unidades do Exército de Uganda. Os reféns foram conduzidos para o prédio do antigo terminal do aeroporto.

Na terça-feira, dia 29, uma mensagem vinda de Paris, que primeiramente foi divulgada pela rádio de Uganda, revela os objetivos dos seqüestradores: a libertação até às 14h do dia 1 de julho de 53 terroristas – 13 detidos em prisões da França, Alemanha Ocidental, Suíça e Quênia, e 40 em Israel. Caso suas reivindicações não fossem atendidas explodiriam o avião com todos os passageiros.

Israel, a nação mais afetada, havia sempre deixado claro que nunca negociaria com o terrorismo e que estava preparado para derramar o sangue de seus cidadãos a fim de se ater a seus princípios. Em maio de 1974, por exemplo, terroristas tinham seqüestrado os alunos de uma escola de Maalot, na Galiléia; as Forças de Defesa de Israel (FDI) invadiram o edifício e fuzilaram os pistoleiros, mas à custa de 22 crianças mortas. Em Entebbe, entretanto, parecia impossível que Israel reagisse, pois apenas 105 reféns eram judeus - e o governo israelense seria criticado pela opinião pública mundial se pusesse em risco a vida dos outros.

Na quarta-feira, 30, França e Alemanha afirmam que não soltariam os terroristas, posição que se supunha seria a mesma de Israel. A França, no entanto, revela uma certa flexibilidade ao anunciar que seguiria a posição do governo israelense que, até então, mantinha-se em compasso de espera, aguardando o desenrolar dos acontecimentos.

Curiosamente, na mesma quarta-feira,foram os próprios terroristas que desperdiçaram sua maior vantagem. Sem atinar para as implicações de seu ato, separaram os reféns não-judeus e, aparentemente num gesto de consideração para com os outros países, permitiram que 47 reféns, – exceto israelenses ou judeus – retomassem sua viagem para a França. O capitão Bacos e sua tripulação recusam-se a acompanhar o grupo, afirmando que não abandonariam os demais passageiros. Uma freira francesa também insiste em ficar, mas é impedida pelos terroristas e pelos soldados ugandenses.

A libertação de alguns reféns e a evidência cada vez maior de que o principal alvo dos terroristas era pressionar Israel, aumentam a tensão em Israel e a pressão dos familiares para que o país atenda às exigências dos seqüestradores. Nos círculos militares e altos escalões do governo, reuniões e mais reuniões são realizadas, além do levantamento de informações feito pela Inteligência em busca de dados que possam ser úteis a uma eventual ação de resgate. Novos nomes integram-se às reuniões entre as FDI e os ministros, entre os quais, o general brigadeiro Dan-Shomron, 48 anos, chefe dos pára-quedistas e oficial de infantaria; o general Benni Peled; e Ehud Barak, vice-diretor do Serviço de Inteligência das FDI.

A confirmação dada pelos reféns soltos, meticulosamente entrevistados pelos serviços secretos da França e de Israel, de que o governo de Idi Amin estava apoiando os terroristas foi fundamental para as medidas que seriam tomadas por Israel a partir de 1 de julho, quinta-feira, quando, 90 minutos antes de expirar o prazo dado pelos seqüestradores, o gabinete se reúne e aprova o início de negociações com os terroristas. Estes, por sua vez, afirmam não estar interessados em negociações e sim no atendimento de suas reivindicações, estendendo o prazo até às 14h do dia 4 de julho.

É nesse 1 de julho que o Serviço de Inteligência descobre que o aeroporto de Entebe fora construído por uma empresa israelense – Solel Boneh, o que possibilita o acesso às plantas originais do local. Cada vez mais, após intensos encontros com oficiais do exército, Peres convence-se de que a opção militar é possível e que é apenas uma questão de tempo para que todas as peças do quebra-cabeça se encaixem. Tempo, no entanto, é algo que Israel não tem.

A opção militar desponta como caminho viável. A principio os israelenses trabalham com três opções:

a) Um lançamentos de pára-quedistas no Lago Victoria e um silencioso desembarque em Entebbe usando barcos de borracha;
b) Um cruzamento em grande escala do Lago Victoria, partindo da margem queniana - usando barcos que poderiam ser alugados, emprestados ou simplesmente roubados;
c) Um pouso direto em Entebbe, seguido de um assalto rápido e uma remoção imediata dos reféns por ar por forças especiais da unidade Sayeret Mat'kal.

Nos dois primeiros planos, após libertar os reféns, os israelenses iriam depender da ajudar de Idi Amin ou da intervenção da ONU para sair de Uganda. Porém nas próximas horas, as duas primeiras opções seriam descartadas por razões militares e porque os dados colhidos em Paris confirmavam que Idi Amin estavam apoiando os terroristas. Sendo assim o assalto direto a Entebbe seria a opção adotada.

O General-Brigadeiro Dan-Shomron é nomeado comandante da missão em terra e Yoni Netanyahu, comandante da unidade Sayeret Mat'kal, comandante da força-tarefa que a executará. Uma réplica do antigo terminal de Entebe é construída para simulação da operação, com base nas plantas obtidas junto à Solel Boneh e em fotografias aéreas, e os comandos começam a treinar. Enquanto isso, um grupo de 101 reféns – excluindo-se israelenses e judeus de outras nacionalidades – chega a Paris. Trazem duas informações essenciais para Israel: a primeira, de que haveria menos pessoas para resgatar; a segunda, de que apenas judeus estavam sendo mantidos como reféns, além da tripulação, o que, para o governo, significava que os seqüestradores possivelmente acabariam matando a todos, mesmo que suas exigências fossem atendidas.

12h do dia 2 de julho, sexta-feira, os chefes dos comandos da missão, então denominada “Thunderball”, apresentam os planos detalhadamente para Shomron. Duas horas depois, Yoni reúne-se com os oficiais para as ordens finais, antes de mais uma simulação na réplica do aeroporto, incluindo o pouso dos aviões nas pistas sem iluminação de Entebe. O ensaio levou 55 minutos, do momento em que o avião aterrissou até a sua decolagem. A preocupação maior entre todos os envolvidos é obter o máximo do “elemento supresa”.

O ponto fundamental do plano de Shomron era fazer aterrissar em Entebbe, no meio da noite, quatro aviões Hércules C-130 de transporte, que descarregariam tropas da unidade Sayeret Mat'kal e veículos. Para evitar que os aviões fossem detectados, o primeiro Hércules seguiria imediatamente atrás de um avião de carga inglês cujo vôo regular era esperado no aeroporto de Entebbe.
As tropas que realizariam a ação em terra estavam divididas em cinco grupos de assalto:
Grupo de Assalto 1: se encarregaria da segurança da pista e dos aviões (era formado por 33 médicos que também eram soldados);
Grupo de Assalto 2: tomar o edifício do antigo terminal e libertar os reféns;
Grupo de Assalto 3: tomar o edifício do novo terminal;
Grupo de Assalto 4: impedir a ação das unidades blindadas de Idi Amin (estacionadas em Kampala, a 30 km de distância) e destruir os aviões de combate ugandenses Mig 17 e Mig 21 estacionados no aeroporto, para impedir uma possível perseguição. Este grupo também iria cobrir a estrada de acesso ao aeroporto, pois sabia-se que o Exército ugandense tinha tanques T-54 soviéticos e carros blindados OT-64 tchecos para transporte de tropas a aproximadamente 32 km da Capital Kampala;
Grupo de Assalto 5: evacuar os reféns, conduzindo-os para o Hércules que estaria à espera e seria reabastecido no local ou em Nairóbi, no vizinho Quênia - um dos poucos países africanos amigos de Israel.
Levando em conta que haveria inúmeras baixas, um Boeing 707, transformado em avião-hospital, voaria diretamente para Nairóbi durante o ataque. Ao mesmo tempo, outro 707 sobrevoaria Entebbe transmitindo informações ao quartel-general em Israel.
Na medida do possível, tudo foi feito para eliminar os riscos. Sabia-se, por exemplo, que Amin uma vez chegara a Entebbe num Mercedes preto escoltado por um Land Rover, e veículos como esses foram embarcados no Hércules que iria à frente, com o objetivo de confundir os ugandenses nos vitais primeiros minutos.

1h da madrugada do dia 3 de julho, sábado, Motta Gur telefona para Peres e o informa que os homens estão preparados e que a operação pode ser executada.

13h20 do dia 3 de julho de 1976, sábado, o tenente coronel Joshua Shani inicia a decolagem do primeiro dos quatro aviões Hércules C-130, do Aeroporto Internacional Ben-Gurion, em Lod, com destino a Entebe. Poucos segundos depois, cada um dos outros aparelhos também parte, porém em direções diferentes. Afinal, a passagem de quatro Hippos (“hipopótamos”), como são descontraidamente chamados por suas tripulações, em horários semelhantes, não passaria desapercebida sobre os ensolarados céus de Tel Aviv, durante um verão que prometia ser tão quente quanto os anteriores. E o que menos se pretendia, naquele dia, era chamar a atenção e provocar especulações.

A bordo dos Hippos, a força-tarefa especial comandada por Shomron e Yoni tinha um objetivo bem definido: libertar os reféns em Entebe. Apesar de a missão de resgate não haver sido, ainda, aprovada pelo gabinete israelense, a partida dos aviões fora autorizada pessoalmente por Rabin, senão não haveria tempo hábil para sua execução. A permissão fora dada a Motta Gur.

Enquanto os ministros se reúnem para analisar as possíveis alternativas para a situação, incluindo a possibilidade de o país atender às exigências dos terroristas, os aviões aterrissam em Sharm el-Sheik, na região do deserto do Sinai, para abastecer e partem novamente rumo a Uganda, voando a baixa altitude sobre o Mar Vermelho para não serem detectados por sistemas de radares.

O ponto fundamental no plano de Shomron consistia em fazer aterrissar o primeiro Hércules imediatamente atrás do avião de carga inglês que estava sendo esperado em terra, pois este não apenas absorveria a atenção dos operadores de radar ugandenses como também encobriria o ruído feito pêlos aviões israelenses. A precisão tinha de ser absoluta - e foi. Sete horas depois da decolagem, a força israelense aproximava-se de Entebbe, num céu carregado de chuva, sempre na escuta do comandante inglês, que recebia as instruções da torre de controle. O C-130 de Shomron colocou-se exatamente atrás do cargueiro.

Eram 23h e o tenente coronel Shani desce silenciosamente o seu Hippo em Entebe depois de sete horas e meia de vôo e a distância de quatro mil quilômetros desde a decolagem em Israel. A lendária capacidade de precisão de aterrissagem do Hércules foi bem explorada. O pessoal que deveria cuidar da segurança da pista desceu rapidamente. Os operadores de radar não perceberam o intruso e nenhum alarma foi dado. Por esse erro, seriam logo depois mortos pelo enraivecido e humilhado Idi Amin.

O Hércules seguiu para uma área mais escura da pista e, enquanto o cargueiro inglês taxiava, o Mercedes e dois Land Rover desceram a rampa, transportando o grupo que iria assaltar o velho terminal. O Hércules seguiu para uma área mais escura da pista e, enquanto o cargueiro inglês taxiava, dez membros da brigada de infantaria Golani saltam do avião e espalham sinais para orientar a aterrissagem das outras três aeronaves, que se aproximam rapidamente. A rampa de carga é aberta e por esta desliza um Mercedes preto, artifício considerado fundamental para a missão, dois Land Rover e 35 membros da força-tarefa, entre eles Netanyahu. Os militares que iam no Mercedes estavam vestidos com uniformes ugandenses.

Mas os ugandenses logo perceberam a farsa e a 100 m do terminal duas sentinelas, com metralhadoras apontadas, ordenaram ao carro que parasse. Netanyahu e outro oficial abriram fogo com pistolas dotadas de silenciador, atingindo um dos homens, e o grupo seguiu em frente até uns 50 m do edifício, A partir daí, os israelenses foram a pé. Os reféns estavam todos deitados no salão principal e muitos dormiam. Quatro terroristas haviam sido deixados montando guarda, um à direita, dois à esquerda e um no fundo do salão. Todos estavam de pé e puderam ser identificados .por causa das armas que portavam. Apanhados de surpresa, foram mortos imediatamente, e o grupo de assalto subiu pelas escadas. Os reféns advertiram que havia mais terroristas e soldados ugandenses no andar de cima. As ordens eram para tratar os ugandenses como inimigo armado, se abrissem fogo; caso contrário, seriam poupados. Mas para os terroristas não haveria misericórdia. Diversos deles foram eliminados à queima-roupa enquanto dormiam. Ao todo, morreram 35 ugandenses e treze terroristas - entre os quais Bõse e Krôcher-Tiedemann. Cerca de sessenta soldados ugandenses fugiram do edifício. A ação no terminal antigo durou três minutos.

Sete minutos depois que o primeiro Hércules aterrissou, o segundo pousava, seguido pelo terceiro e pelo quarto. Logo que as rampas eram baixadas, jipes e veículos de transporte saíam em disparada, atravessando a pista. O grupo comandado pelo coronel Matan Vilnai assaltou o edifício do novo terminal, que havia sido apressadamente abandonado pêlos ugandenses. As tropas de Amin pareciam totalmente confusas e incapazes de esboçar uma reação coerente. A única resistência determinada vinha da torre de controle, de onde partiu a rajada que feriu mortalmente Netanyahu, postado do lado de fora do velho terminal. Mas a unidade de Vilnai eliminou esse núcleo de oposição graças ao fogo concentrado de metralhadoras e lança-granadas.

Operador da Sayeret Mat'kal em Entebbe, julho de 1976. Ele está armado com fuzil automático AK-47 de fabricação soviética e para confundir o inimigo, está usando um uniforme camuflado sírio. O ditador Idi Amin usava seguranças palestinos que vestiam uniformes camuflados com esta estampa.

O grupo do coronel Uri Orr encarregou-se do embarque dos reféns no avião que os aguardava. A equipe que tinha ordens de eliminar os Migs 21 e 17 ugandenses levou poucos minutos para transformar onze deles em bolas de fogo com rajadas de metralhadoras. O último dos quatro Hippos, com Shomron a bordo, parte de Entebe às 00h30 do dia 4 de julho – 90 minutos depois de o primeiro ter aterrissado.

Após uma breve escala em Nairobi, para reabastecimento e a transferência dos feridos para um Boeing com um hospital a bordo. Apesar de todos os esforços dos médicos – então chefiados pelo coronel Ephraim Sneh, Yoni não resiste aos ferimentos e falece. O saldo total de mortos da Operação Yonatan: 4 –Yoni e três reféns – dois mortos no fogo cruzado com os terroristas e uma senhora de idade, Dora Bloch, que havia sido transferida para um hospital de Uganda e que posteriormente foi assassinada por ordem de Idi Amin. Depois de reabastecer, os israelenses tomaram o caminho de volta, às 4h08.

Nas primeiras horas da manhã do dia 4 de julho, o Hippo pilotado por Shani sobrevoa Eilat e desce em uma base da Força Aérea de Israel (FAI) na região central do país. Enquanto os reféns são atendidos pelas equipes de terra, as unidades de combate descarregam seus equipamentos. Em seguida, retornam às suas bases e retomam suas funções de rotina, afastados da euforia que tomava conta de Israel e da admiração e respeito que haviam conquistado em todo o mundo pelo que haviam feito naquela noite. Para eles, mais uma missão fora cumprida... Era o seu dever, para o qual são treinados.

Ainda no dia 4, aproximadamente ao meio-dia, um Hércules da FAI aterrissa no Aeroporto Internacional Ben-Gurion. De suas portas traseiras, 102 pessoas - homens, mulheres e crianças - correm em segurança para se reunir a seus familiares e amigos. A Operação Entebbe permanecerá para sempre como um feito extraordinário na história da aviação, embora a sorte tenha sido um fator essencial. Mas esse resgate nem mesmo seria cogitado se, para executá-lo, não existissem homens motivados e treinados em um nível verdadeiramente fantástico.

Nota: Segundo algumas informações, o Coronel Ulrich Wegener comandante da unidade antiterrorista alemã GSG 9, estava entre os comandos israelenses durante a operação, possivelmente devido à presença dos dois terroristas alemães. Em 1977, esta unidade realizaria uma grande operação de resgate também na África em Mogadíscio na Somália, quando Boeing 737 da Lufthansa foi seqüestrado

Em 2001, Dan-Shomron, relembrou os fatos do resgate em Entebbe com naturalidade e não gostou muito de mencionar a palavra heroísmo quando falava da missão. Em uma entrevista publicada pela revista do The Jerusalem Post, no mês de junho de 2001, Shomron – que foi chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de 1987 a 1991 – afirma que vários fatores contribuíram para o êxito da missão.

O resgate foi planejado nos seus mínimos detalhes, considerando-se o tempo necessário para todas as etapas, incluindo as baixas que poderiam ocorrer. Segundo o ex-chefe das Forças Armadas, Entebe não foi uma missão suicida. Além dos dados precisos, o grupo era formado por cerca de 200 soldados escolhidos entre os melhores do país, dos mais altos escalões em cada unidade das FDI.

Shomrom relembra que os estrategistas já sabiam que o aeroporto de Entebe fora construído por uma empresa israelense – o que permitiu o acesso às plantas do local; informações importantes também foram obtidas junto a diplomatas e empresários israelenses que, até 1972, viajavam freqüentemente a Uganda, além da própria FAI, que, em função das boas relações diplomáticas entre Israel e Uganda no passado, conhecia bem as instalações. Reféns soltos pelos terroristas antes do dia 3 de julho também forneceram detalhes essenciais sobre o número de seqüestradores e sobre o local no qual haviam sido mantidos presos, Um dos reféns libertados posteriormente foi o rabino Raphael Shamah, na época estudante de uma Yeshivá em Israel.

“Nós sabíamos que havia grandes probabilidades de o aeroporto ter passado por algumas modificações desde a sua construção. Mas estes dados também poderiam ser obtidos de alguma maneira. O elemento mais importante com o qual contávamos, no entanto, era a surpresa. Ninguém poderia imaginar que Israel tentaria realizar uma missão de resgate a quatro mil quilômetros de distância de suas fronteiras, sobrevoando o espaço aéreo de países hostis. Este elemento não poderia ser desperdiçado. Nós sabíamos que, se conseguíssemos chegar ao local sem ser descobertos, qualquer ação após o pouso em Entebe teria que ser muito rápida e deveria ser efetuada antes que os terroristas ou os soldados ugandenses que os apoiavam pudessem perceber o que estava acontecendo”, relembra Shomron. E acrescenta:

“O fato de não ser plausível era um ponto essencial para o sucesso”. Mais um fator contribuiu para o êxito da missão. Dos 13 terroristas envolvidos no seqüestro, apenas oito estavam no local. Segundo Shomron, aparentemente os demais estavam fora do aeroporto. Os soldados ugandenses também foram rapidamente dominados pelos commandos israelenses.

Quando perguntado como via a missão 25 anos depois, respondeu: “Combater o terrorismo exige, antes de mais nada, vontade política. Não há dúvidas de que o resgate provocou um impacto muito grande em Israel e no mundo, pois mostrou que é possível enfrentar o terror onde quer que este se manifeste. Desde então, vários países criaram unidades de combate ao terrorismo e aumentou o intercâmbio entre os vários Serviços de Inteligência”. Mas ele faz uma ressalva:

“O êxito criou a ilusão de que Israel sabe tudo e pode fazer tudo, em qualquer circunstância, o que não é verdade. Há situações em que se sabe muito e pode-se planejar quase tudo com exatidão. Em outras, não se sabe nada e, portanto, não se pode fazer nada. Por isso, quando me perguntaram qual dos participantes da ação poderia ser condecorado por heroísmo, respondi “nenhum”. Pois o resgate em Entebe foi uma missão planejada detalhadamente, treinada tantas vezes quanto possível dentro do pouco tempo que tínhamos e cuja execução foi tão semelhante ao nosso plano que não exigiu nenhum ato heróico para superar os problemas surgidos. Todos cumpriram com o mesmo empenho o seu dever de soldados”.
Assalto a Tunis - 1988

Em sua caçada a terroristas que ameaçavam Israel as Forças de Defesa de Israel e suas forças especiais foram até a distante Tunis, capital da Tunísia, cerca de 1.500 milhas de Israel. No ano de 1988 os palestinos iniciaram um novo tipo reação contra a presença israelense nos territórios ocupados. A chamada Intifada. O líder, o mentor, por trás desta revolta que estava criando muitos problemas para a imagem internacional de Israel era Khalil al-Wazir, mais conhecido pelo nome de Abu Jihad. As autoridades israelenses planejaram eliminar Abu Jihad várias vezes, mas após um seqüestro (arquitetado por ele) a um ônibus em 7 de março, no sul de Israel em que três civis morreram, o primeiro-ministro de Israel deu sinal verde para a eliminação deste terrorista internacional. Abu Jihad estava por trás de preparação de equipes de assalto no Líbano e Egito, que depois eram enviadas para os territórios ocupados.

No fim de março uma operação de eliminação do terrorista estava pronta. Agentes do Mossad e membros das forças especiais israelenses atacariam a casa de Abu Jihad em Tunis. Mas só no começo de abril foi dada a autorização para se executar a operação. A Marinha de Israel levaria a força de assalto (cerca de 20 commandos do Sayeret Mat'kal) através do Mediterrâneo em uma pequena frotas de 2 barcos lança-mísseis Sa'ar 4 até a costa tunisiana. De lá os commandos em cinco botes Zodiac iriam para a praia a umas 20 milhas dos subúrbios de Sidi Bou Said, ao norte de Tunis, onde morava Abu Jihad. Os comandos seriam transportados para o local do assalto em um Peugeot 305 e dois furgões Volkswagen, guiados por agentes do MOSSAD. Estes veículos, tinham sido alugados mais cedo em uma agência de aluguel de carros.

Outros agentes sabotariam uma central telefônica para impedir qualquer comunicação da casa de Abu Jihad. Segundo informações os israelenses usaram ao todo 4.000 militares para esta operação, envolveu ainda um avião AWACS (provavelmente um Grumman E-2 Hawkeye), um 707 para abastecimento das aeronaves, um submarino para proteger as embarações lança-mísseis Sa'ar 4 e um esquadrão de caças para proteger os aviões

Durante toda a operação em solo tunisiano, um Boeing 707 provido com dispositivos para guerra eletrônica, estaria voando, num suposto vôo civil (sob o número 4x977), a aproximadamente 100 milhas fora do espaço aéreo da Tunísia, com o objetivo de prover guerra eletrônica a operação, e também servir de estação retransmissora entre o pessoal em terra, na costa e o QG das FDI em Tel Aviv. Ao longo da operação, o comandante da mesmo, o general Ehud Barak, 47 anos, estaria a bordo do 707 acima do mediterrâneo.

Os commandos chegaram ao local após 01:00 do sábado 16 de abril de 1988, encontrando agentes do Mossad que vigiavam o local. Porém Abu Jihad não estava em casa. Então os israelenses tiveram que esperar até 01:30, quando eles e seus guarda-costas retornaram. Mas uma vez ouve outra espera de 60 minutos adicionais, até que todas as luzes fossem apagadas. Primeiramente mataram o guarda-costas que estava dormindo no carro do lado de fora. Então mataram o o jardineiro (Habib Dkhili) e o segundo guarda-costas e os commandos finalmente entraram na casa, todos mascarados. Enquanto uma dúzia de comandos proviam a segurança, oito outros atacaram o quarto de Al-Wazir, que tendo ouvido barulho saiu armado com uma pistola, sendo alvejado por 75 tiros de Uzis de 9mm com silenciadores. Na verdade a equipe de execução era formada por um oficial e quatro commandos. Todos atiraram contra Abu Jihad e o oficial no final disparou contra a sua cabeça.

Como instruídos, não atacaram ninguém da família de Al-Wazir. Toda operação levou cerca de 13 segundos. Em seguida os commandos e os agentes do Mossad foram para a praia de Ras Cathage, onde commandos navais do Shayetet 13 guardavam os botes Zodiac. Antes das 4 da manhã os commandos já tinham voltado ao seu navio. Alguns dias depois, eles desembarcaram em segurança no porto de Haifa. Os agentes da Mossad, disfarçados de turistas, partiram também em segurança em vôos comerciais do Aeroporto de Tunis.
Guerra do Golfo - 1990
Forças Especiais de Israel em operação no deserto iraquiano usando trajes militares de origem americana.

Mesmo nunca admitido oficialmente, é certo que várias unidades das forças especiais da Força de Defesa de Israel (principalmente a Sayeret Mat'kal), estiveram operando secretamente no Iraque durante a Operação Tempestade no Deserto, em 1991.

Como na Guerra Árabe-israelense do Yom Kippur em 1973, a inteligência israelense foi pegue de surpresa e sem qualquer fonte de informação que valesse a pena na região. Para fechar esta lacuna vários agentes de campo do Mossad – o Serviço Secreto de Israel para o Exterior - foram inseridos no Iraque e no Kuwait. Ao mesmo tempo os operadores do Sayeret Mat'kal foram enviados ao Iraque para que obtivessem dados de inteligência mais táticos sobre a movimentação do exército iraquiano.

Na ocasião, as chances do Iraque vir a atacar Israel de fato eram mínimas, mas Israel precisava estar bem informada sobre as ações de Saddam Hussein. Em 16 de janeiro de 1991, expirou o último dia do ultimato da ONU para que o Iraque saísse do Kuwait, diante da recusa iraquiana os EUA começaram os ataques aéreos contra alvos iraquianos.

Menos de 24 horas depois o Iraque enviou 8 Scuds, mísseis terra-terra contra Israel, mirando a cidade de Tel-Aviv. Depois do ataque dos Scuds a Força Aérea Israelense (IAF) que já estava em alerta total deu início aos procedimentos para um ataque de vingança de longo alcance. Porém, temeu-se que isto ameaçasse a frágil coalizão frágil montada pelos EUA, o Governo americano pediu a Israel que não tomasse nenhuma medida ofensiva contra o Iraque, e garantiu que os EUA fariam um esforço especial para alcançar e destruir os lançadores móveis de Scuds. Em troca da não-participação oficial israelense na crise, Israel recebeu permissão dos norte-americanos para desdobrar várias unidades de suas forças especiais para agir no setor americano de caça aos Scuds, localizado ao norte da estrada Bagdá-Amã e melhor conhecido como a "Avenida" dos Scuds.

As equipes israelenses desdobradas de maneira inteiramente secreta, sem qualquer contato com outras forças da coalizão e sem qualquer rastro pudesse identificá-las como israelenses. Logo após a permissão norte-americana ter sido concedida diferentes unidades de SF israelenses foram inseridas n área de caça por helicópteros de transporte CH-53 e a operação começou. É interessante notar que os dados de inteligência levantados pelos operadores do Mossad e do Sayeret Mat'kal, que tinham sido inseridos no teatro de conflito alguns meses atrás, foram usados como moeda de troca pelos israelenses nas suas negociações com os americanos, e foram uma das razões principais para que os israelenses fossem autorizados a operar na área. As equipes enviadas para o Iraque foram seguintes:

- Sayeret SHALDAG.
- Sayeret MAGLAN.
- Uma equipe de reserva da Unidade 669.
- Sayeret Mat'kal.

Os israelenses tinham poucas equipes de guerra eletrônica e unidades de comunicação. Todos as equipes foram equipadas com jipes não-israelenses do tipo Land Rover, dotados de rodas experimentais para transpor dunas, e motocicletas suecas Husqvarna especialmente modificadas. Todos os veículos foram pintados com camuflagem para o deserto e não possuíam nenhuma identificação israelense neles.

Devido à longa duração da operação e da falta de qualquer apoio aproximado, todo equipamento auxiliar e suprimentos diversos foram embarcados. Os principais elementos ofensivos do grupo das SF israelenses eram as equipes do Sayeret Shaldag e Sayeret Maglan.

Mais da metade dos operadores destas duas unidades participaram da caça aos Scuds, e foram equipados com jipes Land Rover providos com armas anti-tanques (ATGM). Visto que o Sayeret Mat'kal tinha se desdobrado para a Área de Operação (AO) bem antes que o resto das unidades, o papel desta unidade na operação estava mais ligado a prover inteligência.

Fora alguns incidentes inevitáveis, Sayeret Mat'kal não dirigiu nenhuma das missões ofensivas, e agiu mais como Patrulha de Reconhecimento de Longo Alcance (LRRP) e “pathfinders” para todas as outras unidades. Uma vez desdobrado para a região, as equipes das SF israelenses começaram a buscar pelos lançadores móveis de Scuds como também por outros objetivos de alto valor. As equipes ficavam escondidas durante o dia para evitar serem descobertas pelos iraquianos como também por forças de coalizões, e iam a caça dos Scuds durante a noite. O dia era usado para planejar, dar manutenção técnica e dormir.

Cada lançador móvel de Scud era composto de três elementos: Um Trator-Eretor-Lançador de Scud (TEL), que era o veículo que transportava o projétil, o colocava em posição vertical e o lançava, um caminhão Zill que levava um destacamento de guardas e um jipe Land Cruiser, que transportava o oficial comandante do destacamento.

Visto que a presença dos tropas israelenses na área era altamente secreta, as equipes estavam impossibilitadas de solicitar ataques aéreos e as operações de infiltração/exfiltração, bem como vôos de provisão eram muito complexas e demoradas. Certa vez um CH-53 israelense que levava operadores para o Iraque quase foi abatido por caças americanos que ignoravam a sua identidade.

A operação no geral não foi muito difícil. Eventualmente, as equipes israelenses do Sayeret Shaldag e do Sayeret Maglan descobriam e destruíam lançadores móveis de Scuds como também os transportes de munição e às vezes algum posto avançado do exército iraquiano. A maioria dos ataques eram feitos através das armas anti-tanque ATGM, mas alguns eram realizados através de ataques diretos e normalmente eram estes que causavam mais feridos. Um incidente sem igual e raro aconteceu em pleno dia. Enquanto uma equipe do Sayeret/Shaldag estava descansando em seu esconderijo dentro de um pequeno riacho seco, um comboio de um lançador móvel de Scuds chegou junto ao riacho para uma parada curta. A equipe não pôde acreditar na sua grande sorte e desde que a sua localização estava bem longe no deserto, o time decidiu ariscar e atacar direito do seu esconderijo em plena luz do dia.

O sucesso foi total. O grupo iraquiano estava composto por cerca de seis guardas e a tripulação de lançador – nada especial para uma unidade altamente treinada e equipada das forças especiais israelenses. Alguns dias antes do Iraque se render as equipes israelenses voltaram para Israel a bordo dos CH-53. A operação toda foi considerada um sucesso. Enquanto a atividade das equipes israelenses era de certa forma bastante simbólica e só aconteceram por um período de poucas semanas, eles foram mais efetivos se compararmos o seu ou ao tamanho e os recursos limitados à sua disposição.

Os CH-53 de Israel foram usados no apoio as Forças Especiais israelenses na caçada aos Scuds iraquianos.

As equipes israelenses também conseguiram juntar a mais valiosa soma de dados de inteligência da campanha de Tempestade de Deserto fora de todas as forças da coalizão na área, dados estes que foram passados depois para os EUA. Diferente das patrulhas americanas e britânicas, nenhuma patrulha israelense ou seus esconderijos foram descobertos pelos iraquianos, e nenhum soldado israelense foi morto durante a operação.

Recrutamento e Treinamento

Como por muito tempo a Sayeret Mat'kal era uma unidade altamente secreta, a seleção de seus membros e comandantes era baseada no relacionamento pessoal e familiar de seus membros existentes. Por isso na unidade serviram os três irmãos Netanyahu.

Desde os anos 1980, que a unidade começou a abrir o seu processo seletivo para voluntários. O processo de seleção da Sayeret Mat'kal, que acontece duas vezes por ano era muito cruel, um dos mais difíceis do mundo. Os recrutas são levados ao extremo de sua resistência física e psicológica. Nos anos 1990 este tipo de seleção de campo (Gibush) foi adotada por outras forças especiais (Sayeret) das FDI.

Só 20% são aprovados na seleção. Uma vez admitidos os recrutas passam por 20 meses de duro treinamento com ênfase no manuseio de armas, lutas marciais (krav magá), navegação, camuflagem, reconhecimento, sobrevivência, fuga e evasão, e outras habilidades. O regime de treinamento consiste no seguinte:
Quatro meses de treinamento básico de infantaria.
Dois meses de treinamento avançado de infantaria.
Três semanas de curso pára-quedismo na Escola de Pára-quedistas. *

Cinco semanas de treinamento de conta-terrorismo na Escola de Guerra Contra-terrorista das FDI, seguindo-se mais treinamento conta-terrorista na própria unidade.
O resto do treinamento é dedicado a treinamento de “LRRP” - (Long Range Reconnaissance Patrol) - Patrulha de Reconhecimento de Longo Alcance, e especialmente para navegação que é de primordial na unidade. Enquanto a maioria dos treinamentos de navegação é feito em pares, como em todas as outras unidades das FDI, na Sayeret Mat'kal é executada a navegação solo de longo alcance. A ênfase no treinamento em LRRP é obvio visto que a Sayeret Mat'kal é a principal unidade reconhecimento de longo alcance das FDI e uma das melhores do mundo.

Os operadores do Sayeret Mat'kal treinam com armas de calibres variados de originárias de diversos países, principalmente de Israel , EUA e Rússia. Também estão aptos a operarem caminhões, tratores, pequenas embarcações, etc.

Os operadores da "Unidade" também são treinadores para operações aerotransportadas, especialmente infiltração com helicópteros . A Força Aérea de Israel prover as aeronaves como os Sikorsky CH-53 Yasur e UH-60 Black Hawk.

A unidade Sayeret Mat'kal é altamente treinada em "Close Quarter Battle" (CQB ou Batalha em Área Aproximada). O CQB é um conjunto de táticas militares empregadas quando a aproximidade com o alvo é mínima, e em local fechado (apartamentos como quartos de hotel, lojas, casas e etc). É caracterizado pela agressividade e a aplicação precisa da força letal. Esse conjunto de técnicas foi desenvolvidos nos anos 80, na Inglaterra pela Special Air Service do exército da Grã-Bretanha, e se tornou popular através da SWAT (EUA). Os fundamentos do CQB são: Velocidade, Agressividade e Surpresa (em inglês: Speed, Agression and Surpraise, formam a sigla SAS).
Homens da Sayeret Mat'kal em treinamento de CQB
Os homens são treinados também em idiomas, principalmente o árabe.
Demolição, manuseio de explosivos, etc.
Captura ou eliminação de lideranças inimigas (VIPs).
Tiro de precisão.
Rádios e comunicações

Os homens que fazem parte desta tropa são treinados em saltos a elevada altitude e abertura a baixa atitude (HALO - High Altitude Low Opening) e saltos a elevada altitude e abertura a alta atitude (HAHO - High Altitude High Opening). Dependendo da altitude o pára-quedista precisará usar tanques de oxigênio:

HAHO - O salto de altitude sem queda livre só pode ser realizado por pára-quedistas altamente treinados, que conseguem se guiar no ar. Os soldados pulam do avião a alturas de mais de nove mil metros e, ás vezes, antes da fronteira com o país hostil, o que reduz a chance de a operação ser detectada. Nessa altitude, os pára-quedistas precisam de oxigênio e de roupas especiais.
Segundos depois de deixar a aeronave, os soldados abrem os pára-quedas e começam a manobrá-lo em direção ao alvo. Cada membro da equipe precisa controlar a velocidade e a direção, além da distância para os outros pára-quedistas do grupo e para o alvo. O pára-quedista pode planar cerca de 30 km até chegar a zona de aterrizagem.
HALO - Este salto pode não ser tão complicado quanto o salto sem queda livre, mas não é menos perigoso. Os pára-quedistas saltam de pelo menos 11 mil metros de altura e o mais perto possível do alvo. Por causa da altitude, os pára-quedistas também precisam de oxigênio para permanecer conscientes e de roupas especiais contra o frio. Eles caem o máximo possível antes de abrir o pára-quedas, passando pela área coberta pelos radares inimigos. Mas, por causa do risco de perda de consciência, os pára-quedas abrem automaticamente a uma determinada altura. Equipamentos também podem ser transportados dessa maneira. As vezes esse salto é usado para inserções na água, neste caso o pára-quedista se desgarra do pára-quedas antes deste chegar a água.

Só 20% Os soldados da Unidade Sayeret Mat'kal podem servir no mínimo três anos. Os integrantes da Unidade após este período podem dar baixa com soldo integral, ou retornar como especialistas à sua área de origem na força - opção escolhida por 94% do contingente.
Segundo informações não confirmadas o melhores recrutas vão para à unidade 269, uma parte da Sayeret Mat'kal altamente especializa em operações de contra-terrorismo. A unidade 269 é responsável pelas atividades do contra-terrorismo fora de Israel e opera com o Shayetet 13 regularmente.
Embora a Sayeret Mat'kal tenha a sua própria insígnia, não é permitido para os seus soldados a usarem em público devido a sua natureza classificada.
Ex-membros

Daniel M. Lewin, graduado da MIT, fundador da Akamai Technologies
Mais recentemente em 2001, um ex-Mat'kal, Daniel M. Lewin, morreu (esfaqueado ou abatido por tiro) no vôo 101 durante os ataques de 11 de Setembro de 2001, após, segundo especulação, ter comandado o motim contra os terroristas provocando a queda do avião.

Ehud Barak, ex-primeiro ministro de Israel
Quando fazia parte da unidade, Barak participou de uma operação clandestina chamada "Operação Fonte da Juventude" na qual se disfarçou de mulher para matar lideres palestinos que tinham planejado o assasinato de atletas israelitas nos Jogos Olímpicos de Munique no ano anterior. Foram-lhe concedidos a medalha pelos "serviços distinguidos" e outras quatro condecorações pela bravura e eficácia operacional. Sendo considerado o soldado mais condecorado da História de Israel.

Benjamin Netanyahu, ex-primeiro ministro de Israel

Foi primeiro-ministro de Israel entre os anos de 1996 e 1998. Sucedeu Yitzhak Rabin e foi precedido por Ehud Barak

Fonte:(www.tropasdeelite.cjb.net).